Um grupo internacional de cientistas de renome alertou a FIFA para a necessidade urgente de alargar e melhorar as medidas de resposta ao calor extremo que estarão em vigor no Campeonato do Mundo. Num carta aberta à organização que regula o futebol mundial, os especialistas em saúde, clima e performance desportiva defenderam que as medidas atuais são “impossíveis de justificar”.

De acordo com a BBC, o grupo de 20 cientistas pede um conjunto alargado de medidas reforçadas, como pausas de hidratação mais longas e protocolos mais claros face à possibilidade de atrasar ou adiar jogos que aconteçam sob condições extremas. A preocupação dos especialistas reside essencialmente nos jogos marcados para o sul dos EUA e o norte do México, onde as temperaturas médias em junho e julho podem chegar aos 40º, mas estes garantem que 14 dos 16 estádios do Mundial 2026 podem chegar e ultrapassar perigosos níveis de calor.

Jogadores no Qatar enfrentam calor de 30ºC e humidade nos 70%. Os perigos para o cérebro, coração e músculos

“A seguranças das pessoas é uma preocupação imediata e urgente, porque as coisas podem correm muito mal muito depressa em cenários de muito calor. Estamos preocupados com o facto de a FIFA estar a ser negligente com a saúde e a segurança dos jogadores. A pausa para hidratação durante os jogos tem absolutamente de ser mais longa do que os atuais três minutos — pelo menos cinco, preferencialmente seis. Esperamos que esta carta convença a FIFA a atualizar as medidas antes do Mundial”, referiu Andrew Simms, diretor do New Weather Institute e coordenador da carta, à BBC.

Como parte do que diz ser um “compromisso com a segurança dos jogadores”, a FIFA introduziu várias medidas relacionadas com o calor extremo no regulamento do Campeonato do Mundo: incluindo obrigatórias pausas de hidratação de três minutos em cada uma das partes, independentemente das condições climatéricas, bancos de suplentes aclimatizados e também novas regras para os adeptos, já que os espectadores poderão entrar nas bancadas com garrafas de água e terão ar condicionado adicional, áreas com sombra, sistemas de nebulização e distribuição alargada de água.

Quem está habituado ao clima? 79% joga na Europa

Os 20 especialistas dos EUA, Europa, Canadá e Austrália defendem então um alargamento “urgente” da abordagem: atraso ou adiamento de todos os jogos em condições extremas, pausas para hidratação de seis minutos, melhores infraestruturas de arrefecimento para os jogadores, atualizações regulares das regras com base nas indicações científicas e adoção dos padrões propostos pelo Fifpro, o sindicato dos jogadores profissionais de futebol.

A FIFA não reagiu oficialmente à carta aberta, mas numa declaração de um porta-voz à BBC indicou que vai usar um “modelo de mitigação do calor”, para além de contar com apoio meteorológico especializado. A organização garantiu ainda que o calendário do Campeonato do Mundo foi desenhado tendo em conta as condições meteorológicas, com as horas dos apitos iniciais ajustadas e os jogos com condições previsivelmente mais extremas marcados para jogos com cobertura.