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"Peso leve" Manuel Monteiro dá ombro a Nuno Melo, mas avisa que partido deve estar "sempre preparado para ir a eleições sozinho"

Antigo líder centrista apareceu em Alcobaça, criticou "nuvens passageiras" liberais que causaram "estragos" e deixou recados sobre o futuro da AD, "pesos pesados" e a identidade democrata-cristã.

Manuel Monteiro liderou o partido entre 1992 e 1998 e já tinha estado no Congresso de 2022, da eleição de Nuno Melo como líder, em Guimarães.
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▲Manuel Monteiro liderou o partido entre 1992 e 1998 e já tinha estado no Congresso de 2022, da eleição de Nuno Melo como líder, em Guimarães.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

▲Manuel Monteiro liderou o partido entre 1992 e 1998 e já tinha estado no Congresso de 2022, da eleição de Nuno Melo como líder, em Guimarães.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Manuel Monteiro apareceu em Alcobaça durante a tarde e a sua presença no Congresso do CDS foi prontamente anunciada pelo presidente da mesa que, pouco depois, lhe dava a palavra no púlpito. Não é uma novidade na era de Nuno Melo, já que foi nela que regressou ao partido, mas desta vez o antigo líder apareceu para provocar os “pesos pesados” ausentes, manter afastadas as “nuvens passageiras” que provocaram “estragos” e meter a colher na discussão sobre o futuro da AD.

Foi líder durante seis anos, entre 1992 e 1998, entrou com o partido com quatro deputados (mais dois do que hoje) e foi durante a sua liderança que chegou aos 15 parlamentares. Ainda assim, subiu ao palco a intitular-se um “peso leve”, face aos “pesos pesados” ausentes — segundo uma notícia que diz ter lido sobre este Congresso. Quando leu o título pensou: “Então têm de ir os pesos leves.”

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Um ombro importante para um solitário Nuno Melo que, neste Congresso, conta com poucos notáveis. E isto numa altura especialmente sensível, tendo em conta a discussão interna sobre a escassa notoriedade e capacidade de projeção pública. O CDS integra uma coligação governativa e, em tese, esse seria um facto que deveria reforçar a sua visibilidade, mas as críticas internas são de “diluição” e de necessidade de firmar autonomia.

E Manuel Monteiro falou delas, compreendeu-as e lembrou que há duas qualidades que se deve esperar de um parceiro de coligação: “Lealdade e compromisso”. Mas não deixou de dizer que, mesmo assim, um partido “nunca deixa de ter as chaves no próprio bolso para se fazer à estrada”. E que é condição necessária de um partido que esteja “sempre preparado para ir a eleições sozinho”.

Nuno Melo tentou afastar a discussão deste Congresso, mas foi como parar o vento com as mãos, porque ela já ia tão lançada que nem mesmo um antigo líder caído do céu deixou de falar do futuro da AD e se o CDS deve ou não ir a eleições em listas próprias. E Monteiro acabou por deixar um aviso sério para esse momento, mais um aviso sobre a necessidade de o partido saber delimitar o seu espaço, sobretudo junto do eleitorado.

A questão doutrinária foi, aliás, aquela a que o antigo líder deu especial destaque nesta sua intervenção. Elogiou o trabalho feito por Nuno Melo, que fez com que o CDS “voltasse a estar na ordem do dia”, mesmo sem os tais “pesos pesados” que “provavelmente são tão pesados que entendiam que o palco ia abaixo com a sua presença”, ironizou.

Notou por várias vezes a atual ausência da referência ao “Partido Popular” e não foi por acaso. Foi uma designação criada na sua era como líder, em que procurou reconstruir o CDS como referência à direita, um partido conservador, diferente do PSD. Um posicionamento que continua a defender para o partido atualmente, sublinhando que “o CDS, com ou sem o PP, sempre foi doutrinariamente democrata-cristão, porque serve a Doutrina Social da Igreja, a sua orientação principal”.

E criticou até uma linha menos conservadora no partido, ao falar nos “escassos momentos” em que houve “quem tivesse hesitado ou até ensaiado outra ideia e outro discurso” no CDS como uma “nuvem passageira que não caracteriza nem identifica o CDS”. Não disse nomes, mas é reconhecida a linha mais liberal de alguns elementos do partidos nos últimos anos — alguns deles até já desfiliados, como é o caso do antigo deputado Adolfo Mesquita Nunes. Manuel Monteiro chamou-lhes “nuvens passageiras” e disse mesmo que “provocarem estragos” e contribuírem “para a confusão do eleitorado”, quanto ao posicionamento do CDS.

Também teve um disparo sobre o Chega, aqueles que “andaram pelas hostes da social-democracia e agora querem ensinar [ao CDS] o que é a direita”. Sobre o CDS, vaticinou que tem de representar uma “direita sólida nos valores e nos princípios, diferente e única na atitude”: “Esse é um espaço político que vai voltar a ser eleitoralmente nosso se nos mantivermos coerentes.”

A receita para a recuperação deste eleitorado perdido passa por, defendeu o antigo líder, “compreender o descontentamento político e eleitoral de percentagens muito significativas de portugueses”.

Deixou ainda uma mensagem muito dirigida aos jovens do partido (recordado que ele mesmo liderou a Juventude Centrista) e desafiou-os a terem “a ambição de conquistar mais jovens e não de serem assessores de vereadores” ou “serem importantes dentro do partido” — foi particularmente aplaudido nesta parte da intervenção. “A ideia de que alguém pode ser importante na política só porque cresce na vida política é uma ideia errada”, declarou Monteiro entre muito aplausos do Congresso que, no final da intervenção, o aplaudiu de pé.

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