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O Governo convocou esta segunda-feira o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, “em violação do direito internacional”, de dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud, disse à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Uma vez que esta ação de Israel, tal como a anterior de há umas semanas, foi feita em águas internacionais e, portanto, em violação do direito internacional, e dado que nós queremos garantir um tratamento de respeito absoluto pela integridade e pelos direitos fundamentais dos cidadãos em causa, convocámos hoje [esta segunda-feira] mesmo para o ministério o embaixador de Israel para fazermos o nosso protesto e para exigirmos esse tratamento e a reposição da legalidade internacional assim que possível”, afirmou Paulo Rangel, que falava à Lusa à margem de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros jordano, Ayman Safadi, no Palácio das Necessidades.

A Ordem dos Médicos indicou que foi esta tarde informada da detenção dos médicos portugueses Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, “após a interceção da embarcação em que seguiam [o navio “Tenaz”], em águas internacionais”, um caso que disse acompanhar “com bastante preocupação”.

Rangel adiantou que o Governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Telavive e dos serviços consulares, que “imediatamente contactaram as autoridades israelitas no sentido de garantir, por um lado, a libertação imediata destas pessoas e, por outro lado, que sejam tratadas com todo o respeito e com garantia de todos os seus direitos fundamentais”.

“Estamos em contacto 24 horas com a nossa embaixada em Israel, como já aconteceu no passado, e, portanto, é natural que ao longo das próximas horas ou do dia de amanhã [terça-feira], tenhamos já mais informações e até já contactos eventuais com os cidadãos em causa”, referiu o ministro.

Num comunicado, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, salientou que “os médicos devem ser protegidos e respeitados em todas as circunstâncias” e “nunca podem ser alvo de violência, intimidação ou qualquer forma de condicionamento, independentemente do contexto político ou militar”.

“De imediato, o bastonário estabeleceu contactos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo sido informado que os dois médicos se encontram sob custódia das autoridades israelitas, devendo posteriormente ser repatriados para Portugal”, lê-se no documento.

Reafirmando “o compromisso inabalável com a defesa da vida, da dignidade humana e da proteção dos médicos em todas as circunstâncias”, a ordem precisou que “continuará a acompanhar o caso com a máxima atenção, mantendo contacto permanente com as autoridades portuguesas”.

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