O Parlamento da Escócia aprovou esta terça-feira a realização de segundo referendo para a independência da nação constituinte do Reino Unido, após uma proposta apresentada por John Swinney, primeiro-ministro escocês. No entanto, Londres já se manifestou contra a realização de uma nova consulta popular.
“Este Parlamento reconhece que o povo da Escócia elegeu a maior maioria pró-independência de sempre“, lê-se no projeto, referindo-se aos resultados das eleições de 7 de maio. Essa base de apoio à independência — composta pelos nacionalistas e os verdes — confere um “mandato claro” para levar avante o referendo, continua.
A proposta, que consiste numa alteração ao programa do Governo, teve o apoio de 72 dos 129 deputados (Partido Nacional Escocês e Partido Verde Escocês), contando com a rejeição dos restantes partidos (Reform UK, Trabalhistas, Conservadores e Liberais Democratas), que acusaram os nacionalistas de “obsessão” pelo referendo.
“Com o mandato do parlamento, irei agora avançar para o diálogo com o Governo do Reino Unido para garantir que a vontade do parlamento que, naturalmente, é a vontade do povo, seja devidamente concretizada”, afirmou Swinney, citado pelo jornal britânico The Independent. O líder escocês conta reunir com Keir Starmer “nas próximas semanas”.
No entanto, a realização do referendo não está totalmente garantida, pois a consulta popular necessita da autorização de Londres, conforme previsto no Ato da Escócia de 1998 (estatuto político-administrativo do território).
A Secção 30 do Ato da Escócia, que foi ativada em 2014, para a realização do primeiro referendo, prevê que Londres pode “especificar as funções que devem ser consideradas como sendo, ou não, funções exercíveis na Escócia ou no que a esta diz respeito“.
Em reação à votação da proposta, um porta-voz do Governo britânico rejeitou a realização de um novo referendo, afirmando que “não há um consenso atualmente” entre os partidos e a sociedade civil, como existia em 2014, e que o executivo de Edimburgo devia “focar-se em assuntos que realmente importam”.
“O Governo escocês tem trabalho a fazer em usar os poderes que tem para conseguir direitos básicos desde a rede de ferries até ao nosso Serviço Nacional de Saúde e ajudar as pessoas com o aumento do custo de vida”, afirma um porta-voz de Downing Street, citado pelo jornal escocês The National e pela BBC.
Em 2014, os eleitores chumbaram a proposta de independência da nação constituinte do Reino Unido, com 55% dos votos, mas desde o referendo do Brexit, em 2016 — rejeitado por 62% dos escoceses —, a possibilidade de uma nova consulta popular tem sido colocada em cima da mesa.
De acordo com a sondagem mais recente, realizada entre 27 e 30 de abril, e publicada pelo jornal Sunday Times, 52% dos inquiridos é a favor da independência.