Um desentendimento sobre o preço para pôr drones kamikaze a funcionar está a expor as tensões entre o governo norte-americano e Elon Musk. Tudo porque a SpaceX, empresa do magnata que chegou a fazer parte da administração Trump, chegou à conclusão de que o executivo deve pagar mais pelo serviço que lhe está a ser prestado, numa altura em que o negócio de Musk ganha crescente influência sobre o governo norte-americano.

Segundo a Reuters, semanas depois de o ataque norte-americano contra o Irão ter começado, e de estes drones — os drones suicidas e não tripulados LUCAS — terem mostrado ser eficazes, os responsáveis da SpaceX encontraram-se com elementos do Pentágono e argumentaram que o exército estava a pagar cerca de cinco mil dólares (4300 euros) pela ligação de cada drone a um terminal da rede por satélite Starlink, mas que na verdade estaria a utilizar um serviço mais avançado e que custaria perto de 25 mil dólares (21500 euros).

Este não é o único caso de discordância, e que expõe a dependência do executivo norte-americano relativamente à empresa de Musk e ao serviço que esta presta: segundo a Reuters, também têm surgido tensões relativamente ao preço para fornecer ligações de internet aos iranianos, uma vez que a administração norte-americana quer contrariar o apagão nas comunicações imposto pelo Irão. Já no início do ano o Wall Street Journal revelava que os Estados Unidos tinham conseguido levar seis mil terminais Starlink para o Irão, em janeiro, depois de o governo do país ter matado centenas de pessoas para esmagar a onda de protestos no país.

O que se passa, conta a mesma agência, é que a SpaceX vende uma versão específica do seu serviço, chamada Starshield, ao Pentágono, graças a um acordo assinado em 2023. E esses terminais podem fazer a ligação a satélites comerciais ou a uma constelação diferente e mais segura.

Ora segundo a SpaceX, os drones LUCAS estão a ser usados em condições mais parecidas com as que são fornecidas pelo modelo mais caro; já o Pentágono diz que o pagamento mensal de 25 mil dólares faz sentido para aviões e não para estes drones kamikazes, que usam a ligação Starlink durante uma questão de meros minutos ou horas. 

Segundo a Reuters, o Pentágono acabou por concordar em aumentar o pagamento à SpaceX, o que na prática faz aumentar quase para o dobro o custo de cada drone. Apesar de Elon Musk e o porta-voz do Pentágono Sean Parnell terem desmentido a notícia da agência, um responsável do Pentágono confirmou entretanto que o Departamento de Guerra dos Estados Unidos está empenhado em encontrar outros concorrentes para o fornecimento destes serviços: “O Departamento de Guerra está comprometido com a criação de um ambiente competitivo para comunicações comerciais por satélite”.

Atualmente, cerca de 20% dos lucros totais da empresa de Musk vêm de contratos com a administração dos EUA.