Procurado por ter baleado um homem venezuelano, residente legal nos Estados Unidos, durante uma operação relacionada com imigração no Minnesota, Christian Castro, um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) foi encontrado e detido esta sexta-feira no Texas, informaram as autoridades norte-americanas. É, segundo o The Guardian, um dos dois agentes federais acusados de mentir sobre as circunstâncias do disparo não fatal contra Julio Cesar Sosa Celis em janeiro.
Os procuradores do condado de Hennepin, no Minnesota, alegam que Christian Castro, de 52 anos, disparou contra Sosa Celis, atingindo-o na perna, depois de, em conjunto com outro agente, ter perseguido o colega de casa do venezuelano até ao apartamento onde ambos viviam.
Inicialmente, as autoridades federais afirmaram que Sosa Celis teria agredido o agente do ICE com um cabo de vassoura num confronto com a duração de três minutos e com a participação de um terceiro homem. No entanto, imagens de videovigilância divulgadas posteriormente contradizem essa versão, mostrando que o incidente durou cerca de 12 segundos, sem registo de agressões ou de um terceiro envolvido.
Castro foi detido 11 dias depois dos procuradores da cidade de Minneapolis o terem acusado de agressão e de falsa denúncia de crime. Foi localizado pelo Departamento de Investigação Criminal do Minnesota, que trabalhou em articulação com agentes do gabinete do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna (DHS) e com os Texas Rangers para concretizar a detenção.
“A detenção de hoje é um passo crucial no nosso processo contra o Sr. Castro”, disse a procuradora do condado de Hennepin, Mary Moriarty, citada pelo The Guardian.
Numa declaração divulgada após a formalização das acusações contra Christian Castro, o ICE afirmou que o Gabinete do Procurador dos EUA está a investigar as declarações prestadas pelos agentes envolvidos no caso, acrescentando que estes poderão enfrentar medidas disciplinares, incluindo despedimento ou eventual processo criminal, caso se confirmem irregularidades.
No entanto, a agência norte-americana criticou a ação dos procuradores do condado de Hennepin, classificando-a como “ilegal” e “manobra de natureza política”.