Quem passa por ali poderá não ter a noção de que se trata do estádio mais caro do mundo. Em altura, o SoFi Stadium nunca fará jus ao seu custo de construção e quem entra está imediatamente no terceiro anel do gigante arquitetónico. O recinto cruza as duas principais rotas de voo do Aeroporto Internacional de Los Angeles. Para que não interferisse com a entrada e saída de aviões, ficou decidido, na altura da construção, que teriam de ser escavados mais de sete milhões de metros cúbicos, a 30 metros de profundidade. Já que por ali passam no ar milhões de passageiros anualmente, a cobertura do estádio é composta por um plástico específico e translúcido, com milhares LEDS embutidos. Uma das primeiras coisas que um passageiro vê antes de aterrar ou pouco depois de descolar de Los Angeles é precisamente aquele outdoor gigante em que transformaram o telhado do SoFi Stadium.

É quase tudo na ordem dos milhares ou dos milhões no que toca aos contornos do SoFi Stadium. Foram 18 milhões de horas de trabalho contabilizadas num estádio que custou cerca de cinco mil milhões de dólares a ser construído, o que significou uma distinção do Guinness. Acima do relvado ergue-se um ecrã 4k da Samsung, de mil toneladas (1 milhão de quilos), com cerca de 80 milhões de píxeis – o Infity Screen (Ecrã Infinito, em português). Na ordem dos milhares estão os 17 mil trabalhadores que conceberam um estádio com capacidade para 70 mil espetadores, expansível para 100 mil.

Tudo brilha no SoFi Stadium, que conta com mais de 2.600 ecrãs, ou não estivesse este recinto localizado na cidade que alberga Hollywood. Los Angeles é a cidade das estrelas e as instalações estão pensadas para recebê-las. Projetado para ser a casa dos Los Angeles Rams e dos LA Chargers, da NFL, o estádio conta com múltiplos camarotes de luxo para albergar as mais conhecidas caras do cinema norte-americano. Alguns dos camarotes – os mais caros –podem receber até 30 pessoas e, qual hotel, têm bar privado, casa de banho privada, uma pequena cozinha e é da sala que se vê o relvado. Nesta última é possível controlar quase tudo, menos o que se passa em campo: os painéis táteis na parede permitem regular a iluminação, a temperatura e até a música ambiente da sala.

Esses lugares do estádio não foram, no entanto, os que deram notícia. A outrora primeira fila do recinto quase deixou o SoFi Stadium fora do Mundial: o relvado, pensado para o futebol americano, era, aos olhos da FIFA, demasiado estreito. Em 2023, Stan Kroenke, proprietário do estádio, estava em desacordo com a organização do torneio, cujos termos de uso do recinto incluíam alterações para que o relvado ficasse mais largo. Em dezembro desse ano, surgiu, inclusive, a possibilidade de Kroenke desistir de o SoFi Stadium vir a sediar jogos do Campeonato do Mundo, a menos que os termos de divisão de receitas – entre a FIFA, as cidades e os estádios – fossem renegociados, noticiou o The Athletic.

O estádio mais caro do mundo estará em Los Angeles

Se o acordo não fosse concluído, não seria certamente o fim do mundo para Kroenke, que tem muito com que se ocupar. O estádio já recebeu outros grandes eventos desportivos, como o Super Bowl LVI, em 2022 – com direito a halftime show protagonizado por Dr. Dre, Snoop Dog, Eminem, Mary J. Blige, Kendrick Lamar e 50 Cent – e a final da Gold Cup, em 2023, além dos espetáculos dos BTS em 2021, dos concertos de Taylor Swift e do Wrestlemania, ambos em 2023. Além disso, a empresa detida pela sua família, Kroenke Sports & Entertainment (KSE), é proprietária dos LA Rams, dos Denver Nuggets, da NBA, dos Colorado Rapids, da MLS e dos Colorado Avalanche, da NHL. Como se não bastassem todos estes clubes e o mais caro estádio do mundo, a KSE ainda é dona do Arsenal, campeão inglês e vice-campeão europeu, cujo estádio – o Emirates – deverá estar sujeito a algumas alterações, que podem incluir algumas características do SoFi. 

Com um acordo mais ou menos vantajoso, a verdade é que os LA FC, da MLS, anunciaram pouco tempo depois que o estádio iria entrar em obras em fevereiro de 2024 e que viria mesmo a receber partidas do Mundial. E não recebe uma qualquer: o SoFi Stadium será o palco do primeiro jogo da seleção norte-americana no Campeonato do Mundo, diante do Paraguai.

BI

  • País: EUA
  • Cidade: Inglewood, Los Angeles
  • Ano de fundação: 2020
  • Equipas e desportos: Los Angeles Rams e LA Chargers (futebol americano)
  • Custo de construção: 5 mil milhões de dólares (cerca de 4,3 mil milhões de euros, pelo câmbio atual)
  • Capacidade: 70 mil espectadores
  • Jogos no Mundial-2026 (8): EUA-Paraguai (13/6), Irão-Nova Zelândia (15/6), Suíça-Bósnia (18/6), Bélgica-Irão (21/6), EUA-Turquia (25/6), dois jogos dos 16 avos de final (28/6 e 2/7) e um jogo dos quartos de final (10/7)