Após seis dias desaparecido, Dawa Sherpa apareceu com vida, a “rastejar”, na chamada “zona da morte” do Monte Evereste, a montanha mais alta do mundo. O guia de montanha de 56 anos, mais conhecido pela alcunha de “Hillary” — uma homenagem ao célebre alpinista Edmund Hillary —, tinha sido visto pela última vez na manhã de dia 30 acima do campo três, a aproximadamente 7.500 metros de altitude, enquanto iniciava a descida da montanha após ter alcançado o cume.

Mesmo exposto a um frio extremo e sem comida ou água, Dawa resistiu às condições implacáveis e conseguiu “deslizar e rastejar lentamente” na direção do acampamento. Ao fim de setes dias, quando a sua morte já era dada como certa, foi avistado de manhã por uma equipa de limpeza e manutenção no Ponto do Crampon, perto da Cascata de Gelo de Khumbu, enquanto avançava rumo ao acampamento base do Evereste.

A sobrevivência do guia gerou espanto entre as equipas de resgate. Pemba Sherpa, diretor executivo da 8K Expeditions, a empresa responsável pelas buscas, afirmou ao jornal The Kathmandu Post que “Dawa conseguiu sobreviver contra todas as probabilidades durante dias”, acrescentando que “este é um verdadeiro autorresgate”.

Também a Nepal Mount Everest, uma empresa de caminhadas que participou nas diligências, recorreu às redes sociais na quinta-feira para destacar que o guia sobreviveu à provação “sozinho durante quase uma semana, sem comida, água nem oxigénio suplementar”, acrescentando na sua publicação que “isto não é nada menos do que um milagre”.

Além das queimaduras provocadas pelo frio nas mãos, Dawa aparentava estar bem de saúde no momento em que foi avistado pela equipa de limpeza e manutenção. Ainda assim, o guia foi internado na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital HAMS, em Katmandu, onde está “consciente e a receber tratamento”, de acordo com os responsáveis clínicos.

Em declarações citadas pela BBC, o médico Nishant Dhakal detalhou o acompanhamento clínico: “Estamos a tratar das suas queimaduras do frio, lesões causadas pelas temperaturas baixas, hidratação e traumatismos. Ele está a ser submetido a exames complementares e ficará na nossa Unidade de Cuidados Intensivos”.

À AFP, a mulher do alpinista admitiu que, à medida que o tempo passava, a esperança ia-se perdendo, admitindo que tinha começado a rezar as últimas orações pela alma do marido. Citada pela France24, a agência descreve o estado “radiante de alegria” de Damu Sherpa: “Ficámos muito felizes com a notícia, já tínhamos perdido a esperança. (…) Também começámos a puja [orações fúnebres] ontem [na quinta-feira].”

“Ele reconheceu-me… é bom e fala”, afirmou a filha, Mhendo Lhamo Sherpa, à Reuters, após visitar o pai no hospital. “Estamos felizes.”