O antigo Presidente cubano Raúl Castro, uma das figuras centrais da revolução cubana, foi visto em público pela primeira vez desde que foi formalmente acusado pelos Estados Unidos de conspirar para matar cidadãos norte-americanos. A aparição aconteceu num evento do ministério da Administração Interna na capital cubana, em Havana, numa altura em que é procurado pela administração Trump.

Como conta a Reuters, a televisão estatal do país transmitiu as imagens em que Raúl Castro, que fez 95 anos esta quarta-feira, volta a ser visto em público. Antes disso, tinha aparecido durante as celebrações do 1º de maio, também em Havana, imediatamente antes de ter sido acusado pela administração norte-americana. Este ano só tinha sido visto mais uma vez, a 15 de janeiro, numa cerimónia pública de homenagem aos 32 soldados cubanos que morreram durante a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos.

Como a Reuters escreve, a acusação de Raúl Castro representou uma “grande escalada” na estratégia de pressão que os norte-americanos aplicam ao governo comunista da ilha. No final de maio, os Estados Unidos acusaram formalmente o irmão de Fidel Castro, assim como outras cinco pessoas, pelos seus alegados papéis no abate de dois aviões civis em 1996, pertencentes ao grupo de ativistas exilados cubanos “Hermanos al Rescate”, provocando a morte a três cidadãos norte-americanos e a um residente no país. Castro, então ministro da Defesa, é acusado de ter dado a ordem para o ataque.

Raúl Castro foi assim acusado de conspiração para assassinar cidadãos norte-americanos, quatro acusações de homicídio e duas acusações de destruição de aeronaves. Desde o ataque que deputados republicanos cubano-americanos vinham pressionando as administrações norte-americanas para que apresentassem acusações contra Raúl Castro, apesar de o seu irmão, Fidel Castro, ter assumido a responsabilidade pela ordem, afirmando ter dado ordens às forças armadas cubanas para abater qualquer aeronave que violasse o espaço aéreo do país.

Segundo o governo norte-americano, as aeronaves do grupo estavam desarmadas e os voluntários a bordo não representavam qualquer ameaça para o governo cubano, para as suas forças armadas ou para a população da ilha.