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Mais de 40 organizações instaram esta sexta-feira o Governo português a votar a favor de uma resolução que visa pôr fim ao “bloqueio económico, comercial e financeiro” imposto pelos Estados Unidos contra Cuba na Assembleia Geral da ONU.
Na carta enviada esta sexta-feira ao Governo, os signatários reiteraram as denúncias do executivo de Havana de que os Estados Unidos terão alegadamente pressionado e chantageado outros países a não subscrever ou apoiar a resolução.
Deste modo, as organizações denunciaram as “inaceitáveis e desesperadas ações, pressões e chantagens promovidas pelos EUA sobre diversos Estados-membros das Nações Unidas para impedir a verdade, a justiça e o apoio” à resolução.
As organizações instaram então o Governo português “a apoiar de novo a resolução apresentada e a agir no quadro das suas relações internacionais, nomeadamente no âmbito da União Europeia, para que outros países continuem a apoiar, através do seu voto, o fim do bloqueio”.
No comunicado relembraram ainda que este será o 35.º ano consecutivo em que será debatido e votado na Assembleia Geral da ONU o bloqueio norte-americano contra a ilha.
Tradicionalmente, Portugal vota favoravelmente as resoluções apresentadas por Cuba na ONU a exigir o fim do bloqueio.
A carta esta sexta-feira enviada surge dois dias após o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, ter acusado os Estados Unidos de exercer “pressões externas sem precedentes” de “coação e chantagem” sobre vários países da ONU para alterarem o sentido de voto no próximo debate sobre o embargo à ilha.
O chefe da diplomacia cubana apresentou documentos divulgados pelo Departamento de Estado norte-americano que convidavam delegações estrangeiras para eventos na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, com o objetivo de “obrigar um grupo de países a alterar a sua posição sobre o embargo”.
“O Departamento de Estado chegou ao cúmulo do ridículo, pois trata-se de um reconhecimento das intensas ações, chegando ao ponto de pedir a certos países, que há décadas têm um voto tradicional, que abandonem a sala ou se abstenham”, salientou Rodríguez ao mostrar um vídeo do embaixador dos EUA junto da ONU, Mike Waltz, a fazer esse pedido.
Rodríguez explicou que, no debate na ONU, previsto para os próximos dias 27 e 28, pela primeira vez a Assembleia-Geral também se vai “pronunciar através de uma resolução” sobre o bloqueio energético imposto por Washington desde janeiro, que interrompeu todas as importações de combustível para a ilha caribenha.
“Nenhum pretexto relacionado com o objetivo obstinado dos EUA, que é uma mudança política em Cuba, nem qualquer divergência política entre governos”, justifica estas ações, insistiu.
“Será que os Estados soberanos do planeta permitirão que as leis norte-americanas sejam aplicadas nos seus territórios ou que a jurisdição dos tribunais norte-americanos se aplique nos seus países?”, questionou o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, acrescentando que, no debate da próxima semana, “ninguém poderá lavar as mãos”.