Na década de 80, ninguém tinha dúvidas: Miami necessitava de outro recinto para que a equipa de futebol americano pudesse dar o salto, o Orange Bowl já começava a ser demasiado pequeno e “modesto”. Estava dado o mote para uma infraestrutura que ainda hoje, com algumas remodelações pelo meio desde que foi inagurada em 1987, serve todos e serve para tudo. Literalmente. Sempre com uma ideia presente nos eventos que ali passam: é para bater recordes, quaisquer que eles sejam. E isso é algo transversal a várias áreas.

Um exemplo prático: numa altura em que o WrestleMania começava a perder alguma força enquanto maior evento anual do wrestling norte-americano, a passagem pelo Hard Rock em 2012 inverteu essa realidade: com o mote “Uma vez na vida” os míticos John Cena e The Rock voltaram a encontrar-se no ringue, com a ideia de “Fim de uma Era” houve um combate numa jaula entre Triple H e o invicto The Undertaker e tudo valeu a pena no final com 67 milhões de dólares de receita direta, 103 milhões de receita para Miami e um recorde de PPV para assitir ao espectáculo que superou 1,2 mil milhões de pessoas. Se nenhum destes nomes lhe disser nada, resumamos ao essencial – era para fazer, foi bem feito, não mais quem fez foi esquecido. Esta é a principal marca deste Hard Rock, que ganhou o último nome em 2016… a troco de 250 milhões.

Ali não há crises, ali tudo é uma oportunidade. Quando a organização do Masters 1.000 de Miami em ténis enfrentava problemas pela falta de espaço para aumentar o número de courts disponíveis, em 2017, foi construído todo um novo complexo na zona sul dos parques de estacionamento com 29 campos permanentes que aproveitam também o edifício mãe nas finais. Quando a cidade percebeu que era possível entrar também no mediático circo da Fórmula 1, chegou-se à frente em 2022 e passou a sedear o Circuito Internacional numa pista semi-urbana que, aproveitando os terrenos do parque de estacionamento e todas as áreas que o rodeiam para montar todo o trajeto da prova. Próximo passo: o futebol. E não é um passo qualquer, tendo em conta as experiências recentes que tiveram um episódio menos positivo na final da Copa América de 2024.

Além dos jogos de futebol americano (com seis Super Bowl organizadas), basebol, combates de boxe ou festivais de carros, passando pelos já supracitados wrestling, ténis e Fórmula 1, o Hard Rock foi recebendo alguns jogos de futebol ou no período de pré-temporada das principais equipas ou durante os períodos de seleções, tendo a primeira grande competição na Copa América de 2024 que acabou com centenas e centenas de adeptos colombianos a tentarem invadir o recinto para assistirem à final diante da Argentina. No Mundial de Clubes, no ano passado, já não houve esse tipo de problemas (como o Benfica viu, quando defrontou em Miami o Boca Juniors). Agora, em 2026, haverá um novo desafio chamado Mundial. E com muitos holofotes centrados no recinto que vai receber sete encontros, entre os quais o Colômbia-Portugal e a partida para atribuir o terceiro e quarto lugares, ou não fosse o Hard Rock um palco habituado a receber as rodagens de alguns filmes como Um Domingo Qualquer ou Marley and Me e alguns dos maiores artistas na música.

BI

  • País: EUA
  • Cidade: Miami
  • Ano de fundação: 1987
  • Equipas e desportos: Miami Dolphins (futebol americano)
  • Custo de construção: 290 milhões de euros (pela conversão atual), 312 milhões na última remodelação
  • Capacidade: 64.767 espectadores (pode aumentar para 67.518)
  • Jogos no Mundial-2026 (6): Arábia Saudita-Uruguai (15/6), Uruguai-Cabo Verde (21/6), Escócia-Brasil (24/6), Colômbia-Portugal (27/6), 1 jogo dos 16 avos (3/7), 1 jogo dos quartos (11/7) e jogo de atribuição do 3.º/4.º lugares (18/7)