O PCP insistiu esta segunda-feira na reativação da Linha Ferroviária do Corgo onde os municípios vão investir 1,3 milhões de euros na requalificação da ecovia que ocupa o antigo canal ferroviário, entre Vila Real e a Régua.
“A opção agora anunciada não pode significar o abandono definitivo da perspetiva de recuperação da Linha do Corgo. O PCP reafirma a necessidade da reativação e modernização da Linha do Corgo, integrada numa estratégia de valorização da ferrovia nacional, de promoção da mobilidade sustentável e de combate às assimetrias regionais”, afirmou o PCP de Vila Real.
Em 1990, encerraram 71 quilómetros da Linha do Corgo, entre Vila Real e Chaves. Já em 2009, fecharam os restantes 25 quilómetros, entre Vila Real e a Régua.
Os municípios servidos pela antiga linha juntaram-se para a criação da Ecovia Internacional do Tâmega e do Corgo e recentemente foi anunciado um investimento de 1,3 milhões de euros no troço que liga Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua.
Para Norte, a ecovia estende-se a Vila Pouca de Aguiar e a Chaves, onde liga a Verín (Espanha).
O PCP, através da Direção da Organização Regional de Vila Real (DORVIR), disse que o encerramento da Linha do Corgo “constituiu uma decisão profundamente lesiva para o distrito, inserida num processo mais vasto de desmantelamento da rede ferroviária nacional, promovido por sucessivos governos de PS, PSD e CDS”.
O partido lembrou que, ao longo dos anos, tem defendido a ferrovia nacional e a recuperação das linhas encerradas e tem denunciado o “desinvestimento na rede ferroviária e as suas consequências para as populações, para a economia regional e para a coesão territorial”.
Ainda recentemente, acrescentou, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2026, o grupo parlamentar do PCP apresentou uma proposta visando o início dos trabalhos necessários para a reativação e modernização da Linha do Corgo.
“A rejeição destas propostas pelos votos contra do PSD, IL e CDS-PP, contando ainda com a abstenção do PS e do Chega, constituiu mais uma oportunidade perdida para responder às necessidades de mobilidade e desenvolvimento da região”, referiu.
O PCP considerou que a “construção de uma ecovia no antigo canal ferroviário não responde aos problemas criados pelo encerramento da linha nem substitui as funções que a ferrovia desempenhava e poderá voltar a desempenhar ao serviço das populações e da economia regional.
“Ao contrário do que é afirmado por responsáveis políticos como o presidente da Câmara de Vila Real, projetos de natureza turística ou de mobilidade suave não substituem infraestrutura estratégica de transporte público, essencial para trabalhadores, estudantes, utentes dos serviços públicos e para a atividade económica da região”, referiu.
Em março de 2015, foi entregue, na Assembleia da República, uma petição em defesa da reativação da Linha Ferroviária do Corgo que foi subscrita por 1.068 pessoas.
Em dezembro, o primeiro subscritor da petição, Daniel Conde, defendeu no parlamento a aprovação da abertura e salientou que toda a região de Trás-os-Montes “está complemente refém do transporte rodoviário, não por escolha, mas por imposição do Estado”.
O jornal Público noticiou no fim de semana que a petição “mereceu um amplo consenso” por parte de todos os partidos assentes na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, da Assembleia da República, que se manifestaram a favor da reabertura desta via.