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O Presidente dos EUA prometeu e, horas depois, as forças armadas norte-americanas cumpriram. Ao final da noite desta terça-feira, o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas (CENTCOM) anunciou o início de ataques “de autodefesa” contra o Irão, em resposta ao abate de um helicóptero Apache no estreito de Ormuz que os norte-americanos atribuem a forças da República Islâmica.

“A missão é uma resposta proporcional à agressão injustificada do Irão”, garantiu o comando responsável pelas operações na região do Médio Oriente em comunicado, revelando que a ação, “sob ordens do Comandante-Chefe”, o Presidente Donald Trump, começou às 17h00 do leste dos Estados Unidos (22h00 de Lisboa). As operações atingiram vários sistemas de defesa aérea e radares iranianos nas imediações de Ormuz.

Os soldados do exército norte-americano a bordo do AH-64 Apache patrulhavam as águas ao largo da costa de Omã quando o acidente ocorreu. Foram resgatados por volta da 00h30 desta terça-feira, hora de Lisboa, cerca de duas horas após a queda. Os dois tripulantes foram localizados e resgatados por um drone de superfície da Marinha dos Estados Unidos, que opera de forma autónoma com recurso a Inteligência Artificial. A task-force 59 foi lançada há cerca de cinco anos, em 2021, e inclui embarcações não tripuladas e drones, sendo a primeira task-force deste tipo na Marinha norte-americana.

Durante a tarde, Trump avisou que os EUA iriam retaliar contra Teerão, apesar de a tripulação do helicóptero ter sobrevivido ao ataque. “Dois pilotos estiveram envolvidos, ambos ilesos. Ainda assim, os Estados Unidos terão, necessariamente, de responder a este ataque”, avisou. Mais tarde, em declarações ao Wall Street Journal, o líder da Casa Branca ainda procurou desvalorizar o ataque afirmando que “não fora nada de mais” — e que os detalhes do acidente serão “muito diferentes” do que se pensa — mas a decisão de atacar Teerão já estava tomada.

Em resposta à retaliação, o líder da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, considerou que, “apesar das derrotas no campo de batalha”, os EUA optaram por “testar” o país. “As nossas poderosas Forças Armadas não deixarão nenhum ataque ou ameaça sem resposta. Saiam da nossa região se querem estar em segurança”, ameaçou numa publicação na rede social X. “A história do Golfo Pérsico tem muitos capítulos sobre o terrível destino dos invasores estrangeiros”, pode ler-se ainda.

Ainda antes do ataque norte-americano, o MNE iraniano disse que as forças estrangeiras a operar perto do território iraniano arriscam-se a ver-se “envolvidas num tiroteio”. “As forças estrangeiras que operam perto do nosso território correm sempre o risco de cometer erros humanos, seja por simples acidentes ou pela ameaça de se verem envolvidas num tiroteio”, escreveu Araghchi.

“Para mitigar estes perigos, a melhor medida a tomar é que as forças estrangeiras abandonem completamente esta região; quanto mais cedo o fizerem, menos provável será que enfrentem ações hostis”, continuou, acrescentando que o Estreito de Ormuz não são “águas internacionais”, mas sim águas partilhadas entre a República Islâmica e Omã e que, por sinal, situa-se a “milhares de quilómetros das costas dos Estados Unidos”.

Também o principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, recorreu à rede social X para referir que Teerão prefere a “linguagem da diplomacia”, mas que também fala “outras línguas com muito mais fluência”. “Se não cumprires os teus compromissos, passaremos a usar aquilo que sabemos fazer melhor”, ameaçou Ghalibaf.

Os helicópteros Apache têm sido um recurso fundamental para as forças armadas norte-americanas na imposição do bloqueio aos carregamentos de petróleo bruto e aos petroleiros iranianos, numa tentativa de pressionar Teerão a chegar a um acordo. As forças norte-americanas têm imposto no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo, um bloqueio aos portos iranianos.

Estados Unidos e Irão trocaram alguns ataques desde o cessar-fogo acordado há dois meses, mas nos últimos dias o conflito escalou com trocas de ataques entre Israel e a República Islâmica, que mantém a ameaça à navegação de e para os portos de países vizinhos, impedidos de exportar petróleo por aquela via estratégica do Golfo Pérsico. Os ataques diretos entre Israel e o Irão cessaram na segunda-feira, mas o cessar-fogo permanece, no entanto, frágil.

Antes de serem conhecidas as causas da queda do helicóptero Apache, Trump afirmou que a diplomacia norte-americana se encontrava na fase dos “últimos esforços” para chegar a um acordo com o Irão para pôr fim ao conflito no Golfo, iniciado a 28 de fevereiro com o ataque israelita e norte-americano contra a República Islâmica. “Estamos a dar os últimos passos para o que será um acordo muito, muito bom”, afirmou Trump já esta madrugada, estimando um prazo de “dois a três dias” para que o acordo fosse concluído.

Os mediadores, liderados pelo Paquistão, têm vindo a tentar há semanas chegar a um acordo. No entanto, tanto o Irão como os Estados Unidos têm assumido posições intransigentes. Washington quer que o Irão renuncie ao seu stock de urânio enriquecido, que se acredita ainda estar enterrado no país após os ataques aéreos norte-americanos na guerra de 12 dias em 2025.

Teerão recusa-se a fazê-lo e exige o alívio das sanções. Também quer a libertação dos ativos congelados, antes mesmo de um acordo final entrar em vigor, o que Trump rejeita.