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A bola começou a rolar no país do soccer. Por esta altura, é cada vez mais redundante resumir este Campeonato do Mundo à eterna discussão que coloca em polos opostos futebol e soccer, passando, claro está, pelo futebol americano. Apesar de não ser o país de eleição do povo norte-americano, o futebol é, a partir desta sexta-feira, o principal desporto nos EUA. Apesar da organização tripartida entre os países da América do Norte, os EUA vão receber mais de 70 jogos da competição, com todas as condicionantes — positivas e negativas — que acarreta tamanha responsabilidade. A começar pela presença do célebre Ted Lasso no seio dos yanks, numa altura em que a personagem de Jason Sudeikis está prestes a lançar a quarta temporada da sua série. Lasso foi inclusivamente uma das figuras da cerimónia de abertura norte-americana.

Curiosamente, o jogo EUA-Paraguai é marcante na história dos Mundiais, já que nesse duelo que, em 1930, ser registou o primeiro hat-trick na competição. Na altura, em 1930, os norte-americanos venceram com três golos de Bert Patenaude, naquele que foi o primeiro e único duelo entre as seleções americanas no Campeonato do Mundo… até à madrugada deste sábado. Com o apoio de mais de 70 mil espectadores, os Estados Unidos partiam como favoritos, contando com nomes importantes como Christian Pulisic, Malik Tillman e Weston McKennie, de tal forma que o selecionador Mauricio Pochettino assumiu a intenção de conquistar este Mundial. Por seu turno, os guaranies estavam de regresso ao Mundial 16 anos depois e encontram-se 24 lugares abaixo dos norte-americanos no ranking da FIFA.

Com o casal Beckham, Leonardo DiCaprio, Paris Hilton e Tom Cruise também a assistir, inundando de adeptos a zona inferior do seu camarote, os EUA entraram em campo com Chris Richards, que estava em dúvida para a partida depois de se ter lesionado no tornozelo. O central juntou-se a Alex Freeman e Tim Ream no trio de centrais, relegando Mark McKenzie, que era apontado à titularidade, para o banco. No Paraguai, Julio Enciso também recuperou da lesão na coxa sofrida diante da Nicarágua e saltou para o onze, juntando-se a Tonny Sanabria na frente de ataque. O fecho da cobertura do SoFi Stadium acabou por aportar qualidade a um jogo que começou bastante mexido e com sinal mais para os stars e stripes, que chegaram ao golo logo no arranque: Weston McKennie arrancou da direita para o meio e serviu Christian Pulisic, o avançado driblou com categoria dois defesas e devolveu ao médio, que tentou servir Folarin Balogun, mas Damián Bobadilla acabou por colocar a bola na sua baliza quando tentava o corte (7′).

Pouco depois, Sergiño Dest isolou-se pela direita em mais uma jogada rápida, mas Orlando Gill saiu rapidamente da baliza e fechou o ângulo (16′). Logo a seguir à primeira pausa para hidratação, os Estados Unidos chegaram ao golo por Balogun, mas o lance foi inviabilizado por fora de jogo (28′). Contudo, não foi preciso esperar muito tempo para se ver o golo do avançado do Monaco, que fez o gosto ao pé na conclusão de mais um grande lance de Pulisic, que fugiu à defesa com uma grande desmarcação de dentro para fora e cruzou, dentro da área, para o desvio de Balogun (31′). Os sinais de goleada começaram a aparecer ainda na primeira parte, com Richards a ficar muito perto do terceiro na sequência de um canto de Malik Tillman (37′), antes de Tillman atirar para mais uma defesa importante de Gill (43′). A fechar os primeiros 45 minutos, o médio do Bayer Leverkusen isolou Balogun com um passe rasteiro, o ponta de lança ganhou Omar Alderete, ultrapassou Gustavo Gómez e colocou a bola no ângulo superior esquerdo (45+5′).

Com o jogo resolvido ao intervalo, Sebastian Berhalter e Maurício foram lançados de imediato na segunda parte, que chegou com uma nova imagem do Paraguai. Pouco depois, entrou em cena o VAR e Danny Makkelie protagonizou a primeira reversão de falta deste Mundial, à luz das novas leis. Inicialmente, o neerlandês tinha considerado falta de Tim Ream sobre Miguel Almirón e deu o amarelo ao norte-americano, mas, depois de ser chamado pelo VAR, considerou simulação do paraguaio e reverteu o amarelo (53′). Já com Álex Arce, Ricardo Pepi e Timothy Weah em campo, a pausa para hidratação voltou a fazer bem ao Paraguai, que reduziu após uma sequência de carambolas, com Julio Enciso a assistir Maurício para o remate de primeira (73′). Para a reta final, Gustavo Alfaro apostou em Ramón Sosa, Gustavo Velázquez e Kaku Romero, com Pochettino a colocar Giovanni Reyna. Pepi desperdiçou o quarto dentro da área (89′), antes de Reyna fechar as contas com um grande golo de trivela, depois de uma bela troca de passes (90+8′).

A estrela

  • Folarin Balogun chegou ao Campeonato do Mundo em forma, tendo terminado a época no Monaco com 19 golos e quatro assistências em 43 jogos. A estreia na competição que decorre no seu país não podia ter sido melhor, com o avançado a mostrar um grande entendimento com Christian Pulisic, aparecendo no jogo com movimentos de rutura nas alas e no corredor central. Foi assim que anotou dois golos em apenas 19 minutos frente ao Paraguai e saltou para a primeira posição da lista de melhores marcadores do Mundial-2026, tendo feito o primeiro bis da prova.

O joker

  • A época no Milan esteve longe de ser positiva para Christian Pulisic, mas a mudança de chip para o Mundial acabou por ser bastante positiva. Mauricio Pochettino parece ter montado a sua equipa à procura de explorar as principais qualidades do avançado e, à luz do jogo frente ao Paraguai, conseguiu-o. Pulisic criou bastantes dificuldades a Juan José Cáceres no corredor esquerdo norte-americano, fosse com movimentos de rutura, em velocidade ou com a bola nos pés, onde conseguiu exprimir toda a sua qualidade. Fez uma assistência, faltando apenas o golo para coroar uma grande exibição que terminou ao intervalo, aparentemente por gestão.

A sentença

  • As contas são simples e deixam os EUA bem encaminhados para seguir em frente na competição, embora esse estatuto não passe de uma mera formalidade. Apesar do equilíbrio teórico no grupo D, os norte-americanos aparentam estar uns furos acima da concorrência e são os principais candidatos ao primeiro lugar, ainda que os jogos frente à Austrália e à Turquia aparentem ser mais difíceis em comparação com a prestação apresentada pelo Paraguai no SoFi Stadium. Os sul-americanos precisam de vencer para se manterem na luta.

A mentira

  • Esperava-se um jogo equilibrado, mas foi tudo menos isso. O Paraguai até entrou bem no jogo e teve uma aproximação perigosa à baliza norte-americana no primeiro minuto, mas desapareceu a partir daí e continuou sem se encontrar. Os EUA dominaram com um jogo posicional bem oleado e, na verdade, nem precisaram de muito para disparar no marcador, já que, aos 36 minutos, tinham dois golos nos dois remates que fizeram à baliza do Paraguai que, curiosamente, tinha o mesmo número de remates. Ao intervalo, os números podiam ser bem mais expressivos, mas os norte-americanos acabaram por tirar o pé do acelerador na segunda parte. A primeira amostra dos EUA foi bastante positiva e deixa água na boca para o que se segue. Pochettino já assumiu que não se contenta com uma eventual derrota na final…