O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou esta segunda-feira que a guerra contra o Irão salvou Israel da ameaça de “destruição nuclear” e garantiu que o exército israelita permanecerá em Gaza, Líbano e Síria “pelo tempo que for necessário”. O chefe do executivo confirmou ainda que se vai candidatar às eleições legislativas israelitas marcadas para outubro de 2026.

Numa conferência de imprensa em que tentou enfatizar os pontos positivos da operação militar, Benjamin Netanyahu realçou que o “mais importante é que o Estado de Israel foi salvo da ameaça de aniquilação nuclear”. “O que alcançámos? Distanciámos o perigo nuclear com os amigos norte-americanos”, esclareceu o primeiro-ministro israelita, que lembrou que Israel “destruiu a Força Aérea, mísseis” e locais onde o Irão desenvolvia o programa nuclear.

Benjamin Netanyahu recordou que Israel “danificou inúmeras infraestruturas” no Irão e causou prejuízos de mil milhões. E o primeiro-ministro insistiu na questão nuclear iraniana.  “Defendi-o até hoje e continuarei a defendê-lo no futuro. Com ou sem acordo, o Irão não terá armas nucleares. Nem hoje nem amanhã. Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, isso não acontecerá”, disse o chefe do Governo.

O primeiro-ministro israelita assegurou também que a luta do país “ainda não acabou” e que Israel não vai permitir que “organizações terroristas” preparem massacres aos cidadãos do país, principalmente depois do que aconteceu a 7 de outubro de 2023. Assim, Benjamin Netanyahu anunciou que Israel não vai deixar as zonas de segurança que montou na Síria, no Líbano e em Gaza.

O primeiro-ministro recordou ainda os sucessos de Israel nas operações militares desde 7 de Outubro: “O líder do Hamas, Yahya Sinwar, morreu. Eliminámos muitos terroristas e infraestruturas terroristas”. “Retirámos todos os reféns de Gaza. Ninguém acreditaria que o faríamos. Mas nós fizemos. Nunca desistimos de ir a Rafah e trazer os reféns”, sublinhou Benjamin Netanyahu, acrescentando que a forma como o primeiro-ministro agiu foi “contra muitas opiniões” que ouviu.

“Israel está mais forte do que nunca e o eixo de resistência está mais fraco do que nunca. Quem dissesse isso no início da guerra não acreditava”, prosseguiu Benjamin Netanyahu, que respondeu a uma pergunta sobre a relação com o Presidente norte-americano — um tópico que está a ser questionado nos Estados Unidos e em Israel.

“Eu e o Presidente Trump conhecemo-nos há muito tempo. Nem sempre estamos de acordo. Mas eu sou o responsável pelos interesses de Israel”, referiu Benjamin Netanyahu. O chefe do executivo descreveu a relação com Donald Trump como sendo de “parceiros que se conhecem há muito tempo”. “Muitas vezes concordamos; algumas vezes discordamos. Acontece às melhores famílias.”

De qualquer forma, o primeiro-ministro israelita desvinculou-se do memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irão. “O acordo foi feito pelos Estados Unidos, pelo Presidente dos Estados Unidos e ele acredita que vai supervisionar, vai desmantelar o programa nuclear. Eu disse-lhe: a decisão é dele. Repito: a decisão é dele. E ele lidera-a”, destacou Benjamin Netanyahu.

Ao mesmo tempo, o chefe do executivo “expressou” as suas opiniões em relação ao acordo e assinalou que tem “os seus próprios interesses” que podem divergir com o memorando de entendimento. Benjamin Netanyahu esclareceu também que nunca fez qualquer promessa sobre mudança de regime do Irão. “Eu não disse que um dos objetivos da operação era derrubar o regime iraniano. Eu disse que era para criar as condições para ajudar o povo iraniano a derrubar o regime”, disse.

Questionado sobre se se vai candidatar às eleições legislativas marcadas para outubro, Benjamin Netanyahu declarou que sim — que vai tentar um novo mandato como primeiro-ministro. “E quero ganhar.”