Paulo Abreu dos Santos, ex-adjunto da antiga ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro, foi acusado pelo Ministério Público de 7.986 crimes sexuais relacionados com crianças. A CNN Portugal avança que quase 900 destes crimes são de imagens que o próprio captou de um rapaz de 10 anos que conheceu num templo religioso — dois deles são de abuso sexual que praticou sobre a mesma criança nesse mesmo espaço.

Os restantes factos criminais — 7.095 — são crimes de posse e partilha de imagens e vídeos de abusos e pornografia de menores, a envolver outras crianças. Detalha-se ainda na acusação que quase todas as vítimas são de nacionalidade estrangeira. A única exceção parece ser a vítima portuguesa de 10 anos que o advogado filmou e de quem abusou em diversas ocasiões.

A investigação da Polícia Judiciária a Abreu dos Santos começou em 2024 devido a um alerta que chegou das autoridades dos EUA e que detetou a atividade do advogado em chats de partilha de conteúdo pedófilo. Em meados de dezembro, buscas à casa do homem de 39 anos culminaram na detenção do ex-governante em flagrante, na posse de mais de oito mil conteúdos de pornografia de menores.

O acusado é representado pelo advogado Manuel Teixeira desde meados de janeiro deste ano, como noticiou o Observador. Começou por ser representado por Marco Antão, que acabou por renunciar à defesa alegando “objeção de consciência”. O advogado apresentou a renúncia ao tribunal na semana anterior às férias judiciais do período de Natal de 2025. Chegou a ser atribuído um advogado oficioso a Paulo Abreu dos Santos, que também renunciou à sua defesa.

Paulo Abreu dos Santos está em prisão preventiva desde 13 de dezembro de 2025.