A duplicação do número de camas de alojamento estudantil pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro vai mitigar uma das maiores dificuldades dos alunos, atrair mais estudantes e ajudar a regular o mercado em Vila Real.
“Percebemos que para 80% dos estudantes o alojamento é o maior encargo financeiro que têm na universidade e o maior obstáculo para a frequência do ensino superior”, afirmou esta terça-feira a presidente da Associação Académica da UTAD (AAUTAD), em Vila Real, Eduarda Fernandes.
A AAUTAD promoveu um inquérito focado no alojamento estudantil, ao qual responderam cerca de mil alunos.
Para Eduarda Fernandes, as obras de remodelação e construção de residências pela UTAD vão ajudar a mitigar dificuldades em encontrar alojamento.
A presidente da AAUTAD falava precisamente à margem da reabertura do Bloco A da residência Além-Rio, incluído no investimento global de 30,4 milhões de euros que a universidade tem em curso.
“Primeiro, os alunos bolseiros vão conseguir ter mais camas e com mais qualidade. O aumento do número de camas para os bolseiros irá ser incrível, no sentido em que estamos a dar mais oportunidades a estes estudantes”, salientou.
Depois, acrescentou, poderá ter um impacto no mercado privado e poderá levar a que os preços desçam “um pouco”.
“Também para ajudar os estudantes que, apesar de não terem bolsa, também acabam por ter um orçamento limitado para o encargo do alojamento”, frisou.
Outra dificuldade apontada pelos estudantes foi o pagamento de renda sem recibo, sendo frequente a cobrança de custos adicionais para a obtenção de um comprovativo de pagamento.
A UTAD vai praticamente duplicar a capacidade de alojamento estudantil e no arranque do próximo ano letivo disponibilizará 1.025 camas nas suas residências, face às atuais 579, assegurando resposta para todos os estudantes bolseiros.
Com a conclusão integral das intervenções prevista para o final de 2026, a oferta residencial da universidade passará a totalizar 1.139 camas.
O reitor da UTAD, Jorge Ventura, realçou o importante passo que foi dado esta terça-feira com a reabertura desta residência lembrando, precisamente, que o alojamento “é um dos principais desafios e dificuldades que os alunos deslocados com menores possibilidades económicas enfrentam”.
“De maneira que ao duplicarmos essa oferta vamos ter também muitas melhores condições para lhes oferecer e isso pode ser também um fator importante de atratividade da UTAD como um destino universitário, que é o nosso objetivo e a nossa pretensão”, realçou.
Para o presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, “este é um importantíssimo contributo” e “é um dia de dar os parabéns à universidade” porque mais uma vez comprovou que tem “o aluno no centro das suas preocupações”.
Acrescentou que este investimento conjugado com a aposta do município em casas com renda apoiada e com renda acessível poderá contribuir para uma regulação do mercado em Vila Real.
O plano de requalificação e expansão do parque residencial da UTAD é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), contemplando a renovação do Complexo de Codessais e dos blocos A e B da Residência Além-Rio, a reconversão do antigo Centro Integrado de Formação de Professores (CIFOP) em residência universitária e a construção da nova Residência na Quinta de Prados.
A coordenadora para a área do alojamento no ensino superior da Agência Nacional para a Gestão do Programa Erasmus+, Andreia Lopes, destacou a execução física e financeira “já muito avançada” das obras a nível nacional, que representam um investimento superior aos 500 milhões de euros, lembrando que os trabalhos “têm de ficar concluídos até 31 de agosto”.
“Estão muito avançados em termos de obra e portanto próximo do ano letivo garantidamente que o país e sobretudo as comunidades académicas vão ter um número de camas francamente superior àquele que tinham quando o ano letivo anterior terminou”, sublinhou.