O chumbo de última hora veio pelas mãos do Chega, mas os ataques ao PS continuam a multiplicar-se no 43º congresso do PSD, em Anadia. Para o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o PS de José Luís Carneiro está mesmo a “adotar uma posição semelhante à do PCP” em matérias essenciais, que vão da imigração à reforma laboral, passando pela Prestação Social Única.
Em entrevista ao Observador, Leitão Amaro defende mesmo que a postura atual do PS chega a ser “mais imobilista e oposicionista ao país e bloqueador de reformas do que o PS de Pedro Nuno Santos” — “até Pedro Nuno fez um acordo sobre o IRS Jovem”. E os portugueses olham para Carneiro, que sempre foi conhecido como um socialista moderado, como um radical? Para Leitão Amaro, o comportamento do líder do PS “não era o que os portugueses esperavam da pessoa que conheciam”.
Já o Chega “surpreendeu” o Governo com o seu recuo na reforma laboral, assume, preferindo tomar a sua decisão com base na “tática política”. Serão os portugueses a “julgar” essa opção e a concluir que a palavra de Ventura não é confiável, assegura.
“Significa que perdemos a esperança e a disponibilidade? Não significa nada disso”, garante o ministro, certo de que o Governo vai continuar a tentar fazer passar várias reformas — incluindo uma eventual futura insistência na reforma laboral, que não quis detalhar para já.
Quanto ao que a situação atual significa em termos de estabilidade ou instabilidade política, Leitão Amaro garantiu que é possível chegar ao fim da legislatura, uma vez que este chumbo não “foi nada sobre estabilidade política”.
“A partir de hoje é igual a anteontem: temos leis para votar e reformas para fazer. As forças de bloqueio chumbaram mais uma, mas elas são responsáveis e nós temos de continuar a ser forças de desbloqueio”, explicou. “Não estamos em nenhuma crise política. Deus nos livre de lá estar”, realçou Leitão Amaro, pedindo “juízo”.
Ouça aqui a entrevista com António Leitão Amaro