A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, culpou este sábado a imigração e as redes de imigração ilegal pelo aumento do número de utentes sem médico de família (um problema que se tem vindo a agudizar nos últimos meses), lamentando que o esforço do Governo para aumentar o número de médicos de família “pareça não existir”. Numa intervenção muito aplaudida, no Congresso do PSD, em Anadia, a ministra da Saúde culpou ainda o PS pelo “estado lastimável” em que deixou o SNS e garantiu que “não vai desistir”, apesar de os estudos de opinião a apontarem como a ministra menos popular do Executivo liderado por Luís Montenegro.

“As circunstâncias que vivemos, com um aumento populacional brusco — causado pelo acolhimento de imigrantes que entram no país sem regras e sem humanismo, a que acresce a existência de redes organizadas, que se aproveitam da bondade da democracia e de negócios ilegais assentes nas ineficiências de sistemas de saúde de outros países — fazem com que o esforço e o sucesso que temos tido no aumento do número de médicos de família pareça não existir”, lamentou Ana Paula Martins, garantindo que o reforço do número de especialistas “existe, é real e vai continuar a ser real nos próximos meses”.

Apesar de se verificar um aumento do número de médicos no SNS, não existem dados desagregados que permitam perceber a evolução dos clínicos por especialidade. Por outro lado, os dados do Portal da Transparência do SNS indicam que o número de utentes sem médico de família atribuído tem vindo a aumentar de forma consistente desde julho de 2025, passando de 1.508.414 para 1.646.729 em abril de 2026. Já o número de utentes com médico atribuído tem-se mantido relativamente estável ao longo dos últimos meses, em torno dos 9,1 milhões de pessoas.

Número de utentes sem médico de família volta a aumentar em abril. É o maior número desde o último verão

No púlpito do congresso do PSD, a ministra da Saúde responsabilizou também o Partido Socialista pelo estado em que o Governo da AD encontrou o SNS. “Desistir não é opção, apesar de termos encontrado o setor num estado lastimável. E os portugueses sabem-no”, sublinhou a governante, apontando depois o dedo à comunicação social — por não noticiar o que Ana Paula diz ser o “sucesso” da governação da AD na área da Saúde.

A ministra lembrou os “ataques em aberturas de telejornais” de que o Executivo foi alvo por causa do encerramento de urgências hospitalares, uma realidade que mudou, mas que, lamenta Ana Paula Martins, não tem agora eco nos media. “Agora vemos alguém a anunciar que as urgências estão abertas e que estamos a servir melhor as populações? Alguém diz que os helicópteros do INEM estão a funcionar e cumprem a sua função? Alguém diz que admitimos muitos mais profissionais para o SNS, que melhorámos a carreira dos que salvam milhares de vidas, e que o SNS está a responder e a produzir mais, apesar do aumento enorme da pressão demográfica?”, questionou a ministra da Saúde.

Relativamente ao aumento da produção assistencial, os últimos dados oficiais apontam para uma diminuição do número de cirurgias e primeiras consultas no primeiro trimestre de 2026, em relação ao período homólogo de 2025 — isto depois de também já se ter registado uma quebra em vários indicadores no segundo semestre de 2025.

SNS regista nova quebra nas cirurgias e aumento das listas de espera em 2026. Primeiras consultas também em queda

Ana Paula Martins disse também ter a “consciência” de que é a ministra menos popular do Governo, mas garantiu que irá continuar no cargo e a cumprir o Programa de Governo. “Tenho a consciência de que, segundo a comunicação social, sou a ministra menos popular deste Governo. Mas sempre assumi que governar não implica ser popular, implica ser responsável”, sublinhou a ministra da Saúde, lançando uma farpa aos comentadores políticos. “Não dependo de barómetros para agradar a quem comenta no espaço público. Aceito em humildade todas as críticas e cumprirei o Programa de Governo”, disse a governante, antes de ser aplaudida de pé durante cerca de um minuto.