A decisão da União Europeia de adiar uma cimeira com o Reino Unido no próximo mês devido à demissão do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, causou irritação em Londres, avança o Financial Times.
Depois de Keir Starmer ter anunciado a demissão esta segunda-feira, António Costa, presidente do Conselho Europeu, afirmou que a cimeira de 22 de julho seria adiada para permitir que a UE trabalhasse com o “sucessor” do primeiro-ministro britânico. “Estávamos a trabalhar muito intensamente e com grande entusiasmo para realizar, muito em breve, a nossa segunda cimeira [com o Reino Unido]. Agora, de certeza que a vamos ter de adiar”, afirmou Costa numa conferência de imprensa em Bruxelas.
Só que a medida surpreendeu e irritou o governo de Starmer, segundo duas pessoas envolvidas nas negociações, reporta o Financial Times. “As pessoas aqui não ficaram especialmente satisfeitas”, disse uma delas ao jornal. “Não estávamos à espera disso.” Segundo o FT, a equipa de negociação de Londres acreditava que um acordo — que poderia envolver uma redução significativa das propinas para os estudantes da UE nas universidades britânicas — estava a tomar forma e poderia ser aprovado pelo próximo primeiro-ministro.
Andy Burnham, que parece fadado à vitória para substituir Starmer como primeiro-ministro, terá agora de acrescentar as relações entre o Reino Unido e a UE à sua lista de prioridades.
A data da cimeira só tinha sido anunciada na semana passada, por Starmer e Costa, depois de se terem reunido à margem da cimeira do bloco G7, em França. O objetivo da cimeira era discutir os progressos na normalização das relações entre os dois lados após a saída dos britânicos da UE. A assinatura do Acordo sobre Gibraltar entre a UE e o Reino Unido era igualmente esperada nas próximas semanas.
O primeiro-ministro do Reino Unido anunciou esta segunda-feira que vai sair do cargo, por considerar que o seu partido já não o considera a pessoa ideal para chefiar o Governo e disputar as eleições legislativas de 2029. O prazo para candidaturas a líder trabalhista decorre entre 9 e 16 de julho.