O autarca de Vouzela diz que está a ser feito o levantamento dos prejuízos na região após os incêndios dos últimos dias. Até ao momento, partilhou Carlos Oliveira com a Rádio Observador, não há ainda um valor — situação que se deve manter inalterada até ao final da semana, uma vez que este levantamento está a ser feito “aldeia a aldeia, família a família”. Em Tondela, onde deflagrou outro incêndio na passada quinta-feira, está a ser disponibilizado apoio psicossocial às pessoas afetadas pelo fogo. Dez distritos de Portugal vão manter-se em situação de alerta até à noite de quinta-feira.
“As equipas andam [no terreno] a fazer um levantamento mais fino, mais rigoroso, para podermos quantificar” o valor dos prejuízos, afirmou Carlos Oliveira. Esse levantamento, diz, está a ser feito “aldeia a aldeia, família a família”, sendo que “antes do final da semana” não terá um valor a apresentar.
O presidente de Vouzela afirmou ainda que espera “que haja apoio da administração central, regional e mesmo da própria câmara municipal para ajudar a comunidade”.
Presidente Câmara Municipal de Vouzela: “Expectativa é que haja apoio da administração central”
Tondela fornece “atendimento presencial às vítimas do fogo”
A Câmara de Tondela está a disponibilizar apoio psicossocial às pessoas que foram afetadas pelo incêndio que deflagrou na quinta-feira em Vouzela e chegou a aldeias da serra do Caramulo, anunciou esta terça-feira a autarquia.
“Através dos serviços de Ação Social e de Proteção Civil, o Município de Tondela está a disponibilizar apoio psicossocial às pessoas que foram afetadas pelo incêndio que afetou a União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho”, no Caramulo.
Segundo uma nota de imprensa da Câmara Municipal de Tondela, no distrito de Viseu, este auxílio “está a ser prestado por uma equipa técnica, com o apoio da junta de freguesia local”.
Nesta fase de restabelecimento e de apoio à comunidade, refere, o atendimento presencial e acompanhamento domiciliário funcionarão a partir desta terça-feira e até sexta-feira, entre as 10h00 e as 17h00. O “atendimento presencial às vítimas do fogo” funciona na sede da União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho e “a equipa técnica está ainda disponível para visitas domiciliárias às pessoas que manifestem essa necessidade”.
O incêndio que chegou ao concelho de Tondela teve início no concelho de Vouzela, pelas 03h04 de quinta-feira em Tourelhe, freguesia de Cambra, propagando-se aos municípios de Oliveira de Frades, também no distrito de Viseu, e ao de Águeda, distrito de Aveiro. Foi dado como dominado às 12h40 de domingo.
Segundo a Proteção Civil, na sexta-feira, registaram-se dois feridos graves. Um homem de 55 anos com queimaduras de segundo e terceiro graus, ao tentar apagar o fogo, e um outro de 34 anos sofreu um traumatismo craniano grave ao cair de uma carrinha particular que transportava água para combater o fogo.
Até ao momento, há seis vítimas ligeiras a registar, três bombeiros voluntários, um sapador e dois civis, um deles no concelho de Águeda.
Na sexta-feira, este incêndio destruiu totalmente uma fábrica em Vouzela de componentes de madeira, produtora de biomassa para produção de energia e ainda aviários e animais.
Pelas 14h35 desta terça-feira, a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicava que estavam, em operação de rescaldo e de vigilância a reacendimentos, 378 operacionais no terreno, apoiados por 133 veículos e seis meios aéreos.
Prorrogação da situação de alerta
Na passada segunda-feira, o Governo decretou a prorrogação da situação de alerta em vigor, desde as 0h de terça-feira até às 23h59 de quinta-feira em 10 distritos de Portugal Continental, informou o Ministério da Administração Interna (MAI). A decisão abrange os distritos de Vila Real, Bragança, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Beja, Santarém, Portalegre, Évora e Faro e justifica-se com “a manutenção da onda de calor” e com “previsões meteorológicas ainda de grande adversidade para os próximos dias nos distritos do interior do país”, lê-se.
A hipótese de as temperaturas máximas superarem 35 graus Celsius, a humidade relativa do ar inferior a 20%, em especial no Algarve, no interior e no vale do Tejo, a possibilidade de trovoada seca e as eventuais rajadas de vento superiores a 40 quilómetros por hora incluem-se entre as explicações do Governo para prolongar uma situação que vigora desde sexta-feira.
A declaração implica, simultaneamente, a proibição de “acesso, circulação e permanência” no interior de certos espaços e caminhos florestais, bem como da realização de queimadas e queimas, incluindo as autorizadas, e de trabalho em espaços florestais com maquinaria (exceto para combate de incêndios) e nos restantes espaços rurais “com recurso a motorroçadoras de lâminas ou discos metálicos, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâminas ou pá frontal”.
De fora das restrições ficam os trabalhos associados à alimentação de animais e cultivo dos campos, desde que decorram em zonas de regadio ou sem florestas, sejam essenciais e inadiáveis, e não haja o risco de ignição; a “extração de cortiça por métodos manuais e a extração (cresta) de mel”, sem material incandescente; e os trabalhos de construção civil inadiáveis, com mitigação do risco de incêndio.
É também permitida a realização, entre o pôr do sol e as 11h, de “trabalhos de colheita de culturas agrícolas com a utilização de máquinas, nomeadamente ceifeiras debulhadoras”, e de “operações de exploração florestal de corte, rechega e transporte”, “desde que sejam adotadas medidas de mitigação de risco de incêndio rural e comunicada a sua realização ao Serviço Municipal de Proteção Civil territorialmente competente”.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu no sábado que era provável a situação de alerta manter-se na semana em curso, face ao calor esperado.