O Ministério Público de Paris abriu esta terça-feira uma investigação às declarações da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé, por insulto público agravado e incitamento ao ódio ou à violência.

A procuradoria francesa refere, citada pela Associated Press, que “os comentários teriam sido feitos devido à origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião real ou presumida da vítima”, e que podem incorrer numa pena de prisão até um ano ou ao pagamento de uma multa de 45 mil euros.

A investigação foi lançada após uma denúncia da Federação Francesa de Futebol, que na segunda-feira tinha anunciado que iria apresentar queixa no Ministério Público, afirmando que as declarações de Amarilla eram “abjetas e inaceitáveis”.

No domingo, a senadora do Paraguai Celeste Amarilla publicou insultos racistas contra o capitão da seleção francesa, Kylian Mbappé, no X, comparando o jogador a um primata. As declarações foram feitas após o jogo entre a França e o Paraguai, devido à recusa do capitão da seleção francesa em cumprimentar o guarda-redes do Paraguai no fim da partida.

“O Bruto nem aprendeu a escrever, em vez de leite materno mamava cocos e o [ser] mais instruído que ouviu foram chimpanzés”, afirmou. Os insultos de teor racista foram referidos numa outra publicação, em que a senadora apelidou o capitão francês de “camaronês colonizado, a armar-se em francês, ressentido, novo-rico, prepotente e feio”.

Em resposta às declarações, Kylian Mbappé referiu que a “irresponsabilidade e racismo descarado” da senadora fizeram o mundo “esquecer a caminhada e o esforço histórico” da seleção paraguaia e acusou Amarilla de não ser digna do cargo que ocupa.

“A senhora é uma mulher desprezível e indigna do cargo que ocupa. A senhora não representa o Paraguai, este país que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição”, afirmou, numa publicação feita no X, na segunda-feira.

A polémica também motivou uma condenação do Governo do Paraguai, que, em comunicado, reiterou que as declarações são “contrárias aos valores e princípios que inspiram a convivência pacífica e o respeito à dignidade humana” promovidos pelo país.

Na terça-feira, Celeste Amarilla publicou uma carta aberta em francês, no X, onde mostrou arrependimento pelas declarações, mas exigiu um pedido de desculpas do jogador e ameaçou ativar mecanismos legais por “violência de género”.

“As minhas publicações foram feitas no calor do momento […] No entanto, arrependi-me imediatamente de tê-lo tratado com os mesmos insultos que recebo, porque eu também sou desprezada por ser mestiça e latina”, refere a senadora, que também pediu a Mbappé para se retratar das declarações que fez contra Amarilla.

“Retire a sua declaração, honre a sua cidadania francesa e peça desculpa, ou poderei tomar medidas legais por violência de género“, afirmou.