O jogo Argentina-Egito continua a marcar a atualidade, sobretudo no Egito, onde se multiplicam as críticas à arbitragem e ao poder económico que domina o futebol na atualidade.

O desportivo Kingfut colocou como capa da edição desta quarta-feira a palavra “escândalo”, proferida pelo selecionador Hossam Hassan sobre a arbitragem de François Letexier e do VAR durante o jogo, mais concretamente sobre os cartões amarelos atribuídos e o golo anulado de Mostafa Zico.

No Youm7, afirma-se que a derrota ficou a dever-se ao “gigantesco sistema económico que domina a indústria do futebol moderno”, e que a relação entre a gestão do futebol e as instituições financeiras “já não é segredo”.

“Essa complexa sobreposição comercial colocou em risco a integridade da competição e reforçou as suspeitas sobre a existência de diretrizes de arbitragem não anunciadas para proteger investimentos de longo prazo e evitar qualquer colapso repentino no mercado de previsões desportivas, o que ficou flagrantemente exemplificado nas decisões desfavoráveis do árbitro francês François Letexier durante os minutos finais da partida”, sublinha o jornal.

Do mesmo modo, o Ahram ressalta a “indignação global” pela arbitragem, e coloca como título do seu artigo uma frase proferida por José Mourinho sobre o jogo: “roubados à luz do dia“. O jornal também refere vários analistas de desporto a nível internacional, como Dale Johnson, da BBC, que critica a anulação do golo de Mostafa Zico, após verificação do VAR, devido a uma falta anterior de Marwan Attia.

“O golo anulado do Egito foi totalmente contrário à forma como a arbitragem deste torneio tem sido conduzida. Não se pode ter um toque leve, onde não se marcam faltas por contactos mínimos, e depois anular um golo com o VAR por um toque mínimo na camisola”, sublinha, no X.

Um outro nome do futebol que se juntou às críticas foi Fernando Guerrero, que fez parte da equipa do VAR no Mundial de 2022, incluindo o jogo da final ganha pela Argentina, e referiu a anulação do golo de Mohamed Salah. “O árbitro e o VAR estão errados em anular o golo de Salah [na verdade foi de Zico] pelo Egito. Não é uma falta nos argentinos, e se eles considerassem uma FALTA, NÃO É uma falta APP (Attacking Possession Phase), já que a equipa argentina teve muito tempo, espaço e os seus defesas estavam bem posicionados”, refere, no X.

Guerrero vai mais longe e afirma que os albicelestes “tiveram três oportunidades para recuperar a bola e falharam”, e que a atuação do VAR vai “completamente contra” o protocolo, que prevê que só deve intervir em caso de um ataque claro e da impossibilidade de recuperar a posse de bola.