Mais de 40 anos depois da morte de Anthony Littler, encontrado sem vida num beco junto à estação de metro de East Finchley, no norte de Londres, em maio de 1984, dois irmãos foram condenados pelo homicídio que permaneceu por resolver durante décadas. Michael Stewart, de 57 anos, e Anthony Stewart, de 60, foram considerados culpados por um júri do Old Bailey e condenados, esta sexta-feira, a 10 e 15 anos de prisão, respetivamente. O tribunal ouviu que os irmãos, que tinham 15 e 18 anos à data dos factos, tinham como “hobby” atacar homens que acreditavam ser homossexuais, avançou a Sky News.
“A vida de Anthony foi abruptamente interrompida quando foi morto num ataque brutal por dois adolescentes que, como agora sabemos, tinham uma clara propensão para o tipo de violência mais repugnante“, declarou o inspetor-chefe Neil John, que liderou a investigação, em comunicado, no site da Metropolitan Police do Reino Unido.
Neil John afirmou que os irmãos, Michael e Anthony Stewart, atacaram Anthony Littler “porque estava sozinho, indefeso e a caminhar por um beco escuro”. Segundo o investigador, ambos sabiam que dificilmente seriam vistos a cometer o crime “horrendo” e procuravam alguém que se cruzasse no seu caminho. “Tragicamente para Anthony, ele tornou-se a sua vítima inocente”, declarou.
▲ Os irmãos Michael (à esquerda) e Anthony Stewart (à direita)
© Metropolitan Police do Reino Unido
“Não existiam provas forenses, imagens de câmaras de segurança ou dados telefónicos”
Segundo a Metropolitan Police, o processo do homicídio de Anthony Littler foi reaberto em 2022 para avaliar se existiam novas linhas de investigação viáveis. Durante a revisão do caso, descobriram que Daniel Stewart — irmão mais novo de Michael e Anthony Stewart, que tinha apenas 10 anos na altura do crime — se apresentara à polícia e relatara que, em 1984, o irmão mais velho, Michael, lhe confessara ter “assaltado um homem e ele morreu” e gabado o envolvimento em “ataques homofóbicos” a homens “solitários”, relatou a Sky News.
Anthony Stewart terá feito uma confissão semelhante à namorada cerca de oito ou nove anos depois do crime, chegando mesmo a mostrar-lhe o local onde o homicídio ocorreu, de acordo com a polícia. “Foi ali que o matámos”, disse, apontando para a estação de East Finchley, em Londres.
Em 2022, os investigadores reabriram o caso para determinar se existiam provas suficientes que permitissem estabelecer o envolvimento dos irmãos na morte de Anthony Littler. “Ao contrário da maioria dos casos atuais, não existiam provas forenses, imagens de câmaras de segurança ou dados telefónicos que pudessem auxiliar os polícias na resolução do crime”, admitiu a polícia.
Perante a ausência de provas forenses ou tecnológicas, os investigadores recorreram a “métodos tradicionais“, revendo milhares de documentos antigos e ouvindo dezenas de testemunhas ligadas aos suspeitos. Após vários anos de investigação, a polícia reuniu elementos considerados suficientes para sustentar uma acusação, posição que viria a ser validada pelo Ministério Público em 2025.
Anthony Littler era funcionário público e tinha 45 anos, quando foi atacado no momento em que regressava a casa do trabalho. Segundo a Sky News, sofreu duas fraturas no crânio, uma das quais provocou uma lesão cerebral considerada “catastrófica” pelo Ministério Público da Coroa (CPS), ferimentos que acabaram por causar a sua morte.
Durante os interrogatórios da polícia, Michael e Anthony Stewart negaram qualquer envolvimento na morte de Anthony Littler e optaram por não prestar declarações no julgamento.