O Consulado-Geral do Reino Unido em Jerusalém retirou esta quinta-feira as placas e sinalizações que identificavam a sua sede, ao expirar o prazo de um mês dado por Israel ao governo britânico para encerrar a missão diplomática na cidade. Londres já reagiu, informando que o espaço permanecerá aberto como uma missão britânica independente e operacional, ao serviço do povo palestiniano.

A 8 de setembro, o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Gideon Sa’ar, deu o prazo de um mês ao governo britânico para encerrar o seu consulado, medida tomada como represália por Londres ter decidido proibir a importação de produtos provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia.

Na manhã desta quinta-feira, Sa’ar confirmou na rede social X que as várias medidas ameaçadas entraram em vigor esta manhã, frisando que, entre elas, “o Consulado Britânico em Jerusalém encerra hoje as suas atividades”, obrigando 20 diplomatas — incluindo o cônsul-geral — a abandonar Israel.

O ministro adianta ter seguido o “princípio claro” de que “não é possível agir contra Israel sem que tomemos as medidas adequadas em resposta”. “Não queríamos chegar a este ponto, mas foram as medidas do Governo trabalhista do Reino Unido que nos trouxeram até aqui”, declarou.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, no entanto, já reagiu, com o titular da pasta, Ed Miliband, a garantir que o edifício não vai ser encerrado, continuando a operar sob nova designação. “Temos sido claros ao afirmar que não aceitamos que o Governo de Israel tenha o direito legal de encerrar o Consulado-Geral britânico em Jerusalém, que se encontra ali há quase 200 anos”, afirma.

Na sequência destas informações, a agência EFE constatou esta quinta-feira que a bandeira britânica continuava hasteada no edifício ao início da manhã, apesar da retirada das sinalizações, e o seu website permanece em funcionamento. Segundo revela o ministro britânico, “na sequência de discussões com o Governo de Israel, o edifício do nosso Consulado-Geral não será encerrado e passará a ser designado, a partir de hoje, por ‘Missão do Reino Unido em Jerusalém'”.

De acordo com Miliband, este novo órgão “é independente, está operacional e continuará a prestar serviços essenciais e a desenvolver o nosso trabalho junto do povo palestiniano”. Segundo a agência de notícias France Presse, uma pequena equipa de diplomatas britânicos foi autorizada a permanecer no local a trabalhar, mas o ministro garante que o governo britânico vai trabalhar para “restabelecer” a presença do Reino Unido em Jerusalém Oriental.

O Times of Israel adianta que esta solução de manter um corpo diplomático diminuído foi possível através de um acordo bilateral conseguido na última semana. Esta negociação foi mencionada numa publicação subsequente de Gideon Sa’ar, revelando que as duas partes chegaram a um entendimento na noite de quarta-feira.

Sublinhando que “o edifício que servia de consulado é propriedade do Governo britânico”, o ministro israelita confirma que Telavive autorizou Londres “a operar uma equipa de trabalho composta por apenas sete diplomatas a partir desse edifício, que deixou hoje de funcionar como consulado” e que “o âmbito das suas atividades será muito limitado”.

Sa’ar afirma ainda que o Reino Unido e Israel chegaram a acordo “quanto à continuação do diálogo entre os governos, no âmbito do qual ambas as partes poderão levantar questões que considerem importantes”. No mesmo sentido, Miliband afirmou no seu comunicado que não tomará “medidas recíprocas enquanto essas discussões estiverem em curso e forem credíveis”.

Apesar de nenhum dos ministros mencioná-lo diretamente, o Times of Israel adianta que esta negociação preveniu assim que 27 diplomatas israelitas no Reino Unido fossem expulsos numa medida de retaliação britânica, podendo permanecer nos seus cargos em Londres ao abrigo deste acordo.

Até esta quinta-feira, o consulado tinha cerca de 30 diplomatas com a missão de gerir as relações do Reino Unido com os palestinianos de Jerusalém Oriental, bem como com os da Cisjordânia e de Gaza. Este território, recorde-se, foi ocupado por Israel em 1967 e anexado em 1980, sem reconhecimento da comunidade internacional.

O fecho do consulado é a medida mais relevante adotada por Israel contra um país europeu, uma vez que implica o encerramento de um dos consulados considerados “históricos” de Jerusalém — ou seja, aqueles que já existiam antes da criação do Estado de Israel, em 1948.

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Além do Reino Unido, Espanha, França, Bélgica, Itália, Grécia, Turquia e Suécia também mantêm consulados na cidade. Alguns desses países, como Espanha e França, já anunciaram medidas semelhantes perante a crescente expansão dos colonatos israelitas em território palestiniano, sem que isso tenha provocado respostas tão drásticas.

O encerramento do consulado não foi a única medida retaliatória contra o Reino Unido. Segundo Sa’ar, Israel obrigou também à “retirada dos representantes britânicos do Centro Internacional de Apoio a Gaza, em Kiryat Gat”, ao “fim das atividades britânicas de formação das forças da Autoridade Palestiniana na Judeia e Samaria” e à “recusa de entrada em Israel a 12 representantes eleitos britânicos e a outros cidadãos britânicos envolvidos em atividades antissemitas e anti-Israel”.