Há uma seleção que continua a contrariar a ideia que tem crescido nos últimos anos e que dá conta que o Campeonato do Mundo se transforma numa espécie de Campeonato da Europa quando chega a altura das decisões. Esse cenário ganhou mais enfoque depois da eliminação de Marrocos diante de França, mas havia ainda um ponto de interrogação em torno da Argentina, que tinha – e tem – uma palavra a dizer. Com maior ou menor facilidade, a albiceleste voltou a precisar do prolongamento para seguir em frente, alcançando as meias-finais com mais uma grande exibição de Lionel Messi e um golaço de Julián Alvarez. Pelo caminho ficou a Suíça, que perdeu a sua estrela na fase a eliminar, mas ameaçou contrariar o favoritismo sul-americano (3-1, a.p.).

Não olham para o relógio e gostam de dar chocolate: a rebelião da aranha voltou a explorar vulnerabilidades (a crónica do Argentina-Suíça)

O jogo que fechou os quartos de final permitiu a Messi chegar às dez participações em golos neste Mundial, com oito golos e duas assistências, e igualar o registo alcançado no Qatar, em 2022. Por outro lado, a pulga participou em 20 golos da Argentina nos últimos 13 jogos do Campeonato do Mundo e tornou-se no primeiro jogador da história da competição a chegar às 10 assistências. Já Alvarez voltou a marcar em fases a eliminar depois de ter bisado diante da Croácia nas meias-finais de 2022, ao passo que Lautaro Martínez chegou aos 39 golos pela sua seleção e é o quarto melhor marcador da história do país. Pela negativa, Breel Embolo foi expulso dez anos depois, pela segunda vez na carreira.

Conhecido o lote de semifinalistas deste Mundial, a Argentina sabe que vai defrontar Inglaterra na meia-final de quarta-feira, num duelo entre as duas seleções que precisaram do prolongamento para superar os quartos de final. Este vai ser o sexto jogo entre as duas seleções em Campeonatos do Mundo e o primeiro desde 2002. Por outro lado, é a primeira vez na história que os quatro primeiros do ranking da FIFA estão nas meias-finais, sendo que o primeiro (Argentina) vai defrontar o quarto (Inglaterra) e o segundo (Espanha) o terceiro (França). Entretanto, os bleus subiram ao primeiro lugar na classificação virtual após os quartos de final.

“Hoje [sábado] sofremos. Sabíamos que a Suíça era uma equipa muito física. São capazes de sair de certas situações. A sorte esteve do nosso lado, é a realidade. Um dos jogadores deles foi expulso e foi aí que a equipa passou a atacar. Temos aspetos a melhorar. Dito isto, o que a equipa conseguiu é histórico: estar numa final… desculpem, numa meia-final, mais uma vez. Não importa se o adversário é Inglaterra ou Noruega. Vamos deparar-nos com isto. É uma equipa que joga muito bem, que tem um grande treinador. Agora vamos recuperar, pois isso é o mais importante”, assumiu Lionel Scaloni na flash-interview da FIFA.

Já Julián Alvarez disse na mesma zona que o resultado “foi um grande alívio”. “Estou muito contente, tentámos até ao fim, apesar de estarmos com um jogador a mais. Sabíamos que o golo iria sair, estamos muito felizes. Sobre o que se falou depois do Egito e das polémicas? Fala-se sempre muito. Temos de concentrar a energia nas nossas coisas e não dar atenção ao que se diz nas redes sociais. Ganhar desta forma dá uma grande motivação. Preferíamos ganhar de outra forma, mas o importante é continuar a avançar”, concluiu o avançado do Atl. Madrid.