Os sobreviventes do incêndio que matou pelo menos 28 pessoas e feriu mais de 70 num bar de Banguecoque descrevem uma sucessão de segundos marcados pela confusão, pela falta de visibilidade e pela impossibilidade de encontrar uma saída. À medida que as autoridades investigam as causas do fogo, os testemunhos de quem conseguiu escapar ajudam a reconstruir os momentos que antecederam um dos incêndios mais mortais na capital tailandesa nas últimas décadas.
Usa Tadsree estava no exterior do estabelecimento quando tudo aconteceu, tendo saído para fumar pouco antes de ouvir “uma explosão muito rápida“, segundo o Bangkok Post. “Não havia forma de escapar”, relatou a mulher de 41 anos aos jornalistas, descrevendo ainda o momento em que as equipas de socorro retiraram o corpo de uma amiga, com quem tinha estado momentos antes, coberto por um pano branco. “Perdi a cabeça. Parecia que ela estava a dormir”.
“Pelo que ouvi de pessoas que estavam lá dentro quando o incêndio começou, tudo ficou escuro. A energia acabou e havia fumo por todo o lado, por isso não conseguiam encontrar outras pessoas“, afirmou a cantora Sukanya Wongwongwai, que se encontrava nas proximidades e correu para o local depois de saber do incêndio.
Algumas vítimas tinham-se mudado para Banguecoque à procura de melhores oportunidades de vida, encontrando emprego no setor da restauração e da hotelaria. Entre elas, de acordo com o jornal tailandês, estava Pongpaset Poungpany, um migrante de 21 anos do Laos, que trabalhava no bar com o seu irmão Keo Oudone, que conseguiu escapar ao incêndio. “Ouvi pessoas a gritar. Eu queria ir ajudar o meu irmão, mas não consegui entrar”, disse. “Havia fumo, poeira e calor”.
“Por enquanto, quero trazer o corpo do meu irmão mais novo de volta para casa”, disse Poungpany, citado pela AP. “Quero trazê-lo para casa, para junto dos meus pais. Os meus pais estão à espera que os seus filhos voltem a ficar juntos, mas agora um deles já partiu”.
Sittipong Chaiyo, de 23 anos, tinha chegado a Banguecoque apenas um mês antes, também à procura de melhores oportunidades de trabalho. Empregado de mesa num restaurante, encontrava-se no local com amigos quando o incêndio deflagrou. “Vi a notícia e a minha família pediu-me que fosse ver o que tinha acontecido. Ele morreu asfixiado”, disse a irmã. “A minha mãe está muito triste. Isto não deveria ter acontecido”, desabafou.
O teclista da banda que tocava ao vivo no bar, segundo o Bangkok Post, também morreu, segundo declarações de um amigo à Reuters. “Como músico, estou muito chocado”, admitiu. “Seria bom se os locais de concertos tivessem várias saídas de emergência. Os músicos tocam para ganhar dinheiro para as suas famílias, nenhum de nós queria sofrer perdas como esta.” Li, taxista e pai de dois filhos, foi outra das vítimas mortais no incêndio, bem como a sua companheira. “Ele ajudava os estudantes a deslocarem-se de graça”, afirmou a mãe da mulher. “Era muito gentil”.
Na manhã desta segunda-feira, reuniram-se no Instituto de Medicina Legal de Banguecoque amigos e familiares das vítimas, para onde os corpos foram levados para identificação. “Só tenho um filho“, disse aos jornalistas Jansuda Tanla entre lágrimas, relatando que estava à procura do seu filho de 27 anos, cantor de uma banda pop que estava a atuar quando o incêndio deflagrou, descrevendo-o através de uma tatuagem.
Mais tarde, vários monges budistas deslocaram-se ao local para prestar homenagem às vítimas e conduzir cerimónias de oração, enquanto enfermeiras distribuíam máscaras faciais para proteger as pessoas do fumo e dos vapores que continuavam a emanar do edifício, relata a AP.
Entretanto, foi criada uma plataforma de registo destinada a recolher informações de familiares que procuravam por parentes ou amigos desaparecidos.
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