Durante uma caminhada pelo Ben Nevis, a montanha mais alta do Reino Unido, Christina Bluhme percebeu que algo não estava bem com um dos seus cães. Tokyo, uma cadela labrador preta de cinco anos, começou subitamente a revelar sinais de desorientação e, pouco depois, deixou de conseguir caminhar. A cadela, com 25 quilos, acabou por ser resgatada por uma equipa de voluntários, que se encontrava na zona após ter participado no socorro de um caminhante ferido.

Já sob cuidados veterinários, os exames iniciais levantaram várias hipóteses, mas a análise acabou por apontar para uma conclusão inesperada: Tokyo apresentava sintomas de intoxicação por canábis, provavelmente causada pela ingestão da substância durante o passeio, segundo a Associated Press.

“A viagem deste fim de semana à Escócia transformou-se em algo que eu nunca poderia ter imaginado”, relatou Christina Bluhme numa publicação no Instagram, com fotografias das suas duas cadelas, Blaze e Tokyo. “Pensei mesmo que a ia perder. Tokyo permaneceu inconsciente durante uma boa parte do percurso e também no hospital veterinário, mas, inacreditavelmente, recuperou completamente no dia seguinte. Sentimo-nos extremamente sortudos”, escreveu.

Christina Bluhme, treinadora profissional de cães há 25 anos, encontrava-se a caminhar com o filho e as duas cadelas quando o incidente ocorreu. O grupo já tinha andado mais de três horas e encontrava-se perto do topo do Ben Nevis, com 1.345 metros de altitude, situado nas Terras Altas da Escócia. Quando se apercebeu da gravidade da situação, Bluhme não hesitou. “Eu disse: ‘Temos de voltar para trás e tirá-la daqui. Havia claramente algo de muito errado”, afirmou, de acordo com a Associated Press.

O filho de Bluhme ligou de imediato a pedir ajuda, mas a polícia avisou que não tinha garantias de conseguir mobilizar uma equipa de resgate. A sorte, porém, esteve do lado de Tokyo. Uma equipa de socorro composta inteiramente por voluntários, que estava no local devido a outra operação, encontrou o grupo e transportou a cadela numa maca ao longo do percurso íngreme, chegando ao início do trilho em cerca de uma hora.

Transportar uma labrador de 25 quilos a descer o Ben Nevis sozinha era impossível. Mas a sua gentileza, profissionalismo e apoio tranquilo foram essenciais durante um dos dias mais assustadores que já vivi”, disse.

Inicialmente, os veterinários suspeitaram de que se pudesse tratar de um problema na coluna vertebral. No entanto, a evolução dos sintomas levou a equipa a considerar outra hipótese: Tokyo poderia ter ingerido uma substância neurotóxica. Após consulta com um centro de controlo de intoxicações, os especialistas concluíram que os sinais clínicos eram semelhantes aos de uma intoxicação por canábis.

Os casos de intoxicação por canábis em animais de estimação estão a aumentar no Reino Unido mas são, também, um problema nos EUA, afirma a Associated Press.

Bluhme terá percebido de imediato que algo não estava bem com Tokyo mas, no entanto, nunca imaginou que se depararia com uma situação semelhante “num dos trilhos de caminhada mais icónicos do Reino Unido”, e que a origem do problema pudesse estar na ingestão de canábis. “Como treinadora de cães profissional, as pessoas assumem frequentemente que sei como prevenir todas as emergências. A verdade é que algumas situações são simplesmente impossíveis de prever“, escreveu nas redes sociais.

Bluhme afirmou que, se a história de Tokyo ajudar pelo menos um dono de um cão a “reconhecer os sinais de intoxicação, a procurar assistência veterinária rapidamente” ou “simplesmente a estar mais atento aos perigos que podem existir ao ar livre”, então algo de positivo terá resultado de uma experiência que descreveu como “verdadeiramente devastadora“.