O presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, disse esta quinta-feira, na Assembleia Legislativa, que a oposição regional está “desligada do povo” e, por isso, não tem competência para governar o arquipélago.
“Quem faz a avaliação do Governo é efetivamente o povo da Madeira e o povo da Madeira sabe uma coisa e a nossa linha de rumo é clara: nós apostamos no crescimento económico“, afirmou, vincando que o executivo tem em curso investimentos na ordem dos 300 milhões de euros em vários setores.
Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional do PSD, falava no encerramento do debate sobre o “Estado da Região”, que decorreu na Assembleia Legislativa, no Funchal, com a presença de todos os elementos do executivo madeirense.
O governante rebateu todas as críticas feitas pelos partidos da oposição — JPP, Chega, PS e IL –, que foram unânimes em considerar que a narrativa de sucesso apresentada pelo executivo não corresponde à realidade vivida pela população no geral, pressionada pela inflação e o aumento do custo de vida.
“Vieram falar que o Governo estava desligado da realidade. O Governo não está desligado da realidade. Vossas excelências é que estão desligadas do povo. Por isso é que estão há 50 anos na oposição e vão continuar — e muito bem — na oposição, porque o povo é sábio”, observou.
No encerramento do debate sobre o “Estado da Região”, o JPP, o maior partido da oposição regional (ocupa 11 dos 47 lugares no hemiciclo), salientou a “total falta de noção” do executivo face à realidade da população, considerando que este governa para uma elite.
“O Governo foi incapaz de descer à terra e falar das reais dificuldades dos madeirenses e porto-santenses”, disse a deputada Lina Pereira, destacando o aumento do preço da habitação, os baixos salários, os problemas no acesso aos cuidados de saúde, o “estrangulamento” da classe média e a taxa de inflação mais alta do país.
Pelo PS, Paulo Cafôfo disse que existe um “grave problema” ao nível da distribuição da riqueza na Madeira e defendeu a criação de um novo modelo económico, passando pela redução de impostos, nomeadamente com a aplicação do diferencial fiscal máximo de 30% em todas as taxas do IVA, e pela aposta na valorização salarial.
Já o Chega, por seu turno, considerou que a verdadeira Madeira não é a que foi apresentada pelo executivo, com o deputado Hugo Nunes a sublinhar que o debate sobre o “Estado da Região”, que não se realizava desde 2023, constituiu “um retrato perfeito da distância abismal que separa o Governo Regional do povo que o elegeu”.
O deputado único da IL, Gonçalo Maia Camelo, também defendeu que o debate ficou marcado por duas narrativas distintas, sendo que a do Governo aponta para o sucesso, assente no crescimento do Produto Interno Bruto regional, ao passo que a da oposição destacou as dificuldades vividas pelas famílias e a necessidade de encontrar novas soluções.
Os partidos que suportam o executivo fizeram, por seu lado, um balanço positivo da atuação governamental, sobretudo após as eleições legislativas regionais antecipadas de 2025, com a deputada única do CDS-PP, Sara Madalena, a salientar o contributo do partido na “estabilidade da região”.
O líder do grupo parlamentar do PSD, Jaime Filipe Ramos, também sublinhou a importância da estabilidade na Assembleia Legislativa e no Governo Regional, observando que resultou da “vontade popular“.
“Existem dificuldades, sim. Mas não existe esse clima de pessimismo que a oposição aponta”, disse.
No discurso de encerramento, o presidente do executivo reforçou esta posição e declarou que a oposição madeirense “não tem capacidade, nem competência” para governar a região, que é liderada desde 1976 pelo PSD, agora em coligação com o CDS-PP.
“Assistimos a um conjunto de narrativas fragmentadas, falsas, algumas delas com elementos de trogloditismo, outras depressivas de um mundo que não é a Madeira, nem a sua população”, disse.
Miguel Albuquerque apontou vários dados que demonstram o dinamismo e crescimento económico da região, sublinhando que, atualmente, estão em curso investimentos na ordem dos 300 milhões de euros em vários setores, entre os quais habitação (57 milhões de euros), energia (50 milhões de euros), estradas (45 milhões de euros), saúde (38 milhões de euros), parque escolar (15,6 milhões de euros) ou infraestruturas desportivas (16 milhões de euros).