O ministro da Educação disse esta quinta-feira que faltam professores para classificar os exames nacionais de algumas disciplinas e apelou à disponibilidade dos docentes, quando falta avaliar 0,7% das respostas na véspera do prazo para a afixação das pautas.
“Estamos com dificuldades em conseguir que haja professores classificadores para algumas provas”, justificou Fernando Alexandre, em declarações aos jornalistas à margem do Encontro Ciência e Inovação 2026, que está a decorrer no Centro de Congressos de Lisboa.
O prazo para concluir a classificação dos exames nacionais do ensino secundário terminou na quarta-feira, depois de adiado por duas vezes devido aos problemas com o modelo de classificação digital, mas ainda há provas sem avaliação.
Segundo o ministro da Educação, Ciência e Inovação, estão classificados 99,3% dos itens, mas as principais dificuldades mantêm-se nas disciplinas de Português e Matemática.
“É verdade que ontem [quarta-feira] ainda tivemos que distribuir algumas provas em resultado do processo de validação muito rigoroso que foi montado nas últimas semanas. Isso veio trazer mais alguma sobrecarga para os professores”, confirmou o governante.
“Na prova de Físico-Química temos 99,9%. Faltam 373 provas. É muito difícil que uma prova não vá ter resultados publicados porque há 373 por corrigir”, exemplificou. “Temos várias provas, por exemplo, Biologia e Geologia faltam 584 provas. Têm de ser corrigidas, é preciso professores classificadores. Estamos mesmo quase lá.”
Apelando à disponibilidade dos professores classificadores, Fernando Alexandre considerou, por outro lado, que a sociedade portuguesa não compreenderá um novo adiamento da afixação das pautas “estando tão perto de terminar”.
Ainda assim, o ministro não garante a publicação dos resultados no prazo previsto — sexta-feira — se ainda houver exames por classificar.
“Reunimos todas as condições tecnológicas, está tudo preparado e durante a tarde poderão começar a ser enviadas para as escolas as provas que estão fechadas, para as poderem publicar amanhã, mas, obviamente, temos que fechar todas as provas”, sublinhou.
“O Júri Nacional de Exames diz que não está a conseguir ter professores disponíveis. Não consegue fechar as provas porque não há professores classificadores disponíveis”, explicou Fernando Alexandre, que diz não compreender as dificuldades de recrutamento, mas recusou responsabilizar os docentes, a quem voltou a agradecer “todo o esforço que fizeram, ainda por cima num contexto de perturbação”.
Ainda assim, insistiu que “não há explicação” para o sistema educativo não conseguir dar resposta na reta final deste processo, independentemente dos constrangimentos registados, e adiantou que, no final, serão apuradas responsabilidades. “Não há explicação para o sistema, com tudo o que correu mal, não há justificação para que, por termos estado tão perto, não consigamos fechar o tema. Não é responsabilidade dos professores, eu estou a pedir a sua colaboração”, afirmou.
“Estamos mesmo no fim, a culpa será apurada no fim. Aquilo em que agora estamos concentrados é em resolver o problema”, disse, acrescentando que “não é um problema do ministro”.
“É um problema do sistema educativo. O sistema educativo tem que conseguir responder àquilo que os alunos esperam, àquilo que as famílias esperam”, concluiu.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser avaliados em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o MECI já tinha adiado, em quatro dias, os prazos inicialmente previstos.
As classificações dos mais de 300 mil exames realizados pelos alunos dos 11.º e 12.º anos deveriam ficar concluídas na terça-feira, para que as pautas fossem afixadas na sexta-feira, mas o ministério decidiu dar mais um dia aos professores para terminar o trabalho.