O Festival Músicas do Mundo (FMM), em Sines, chega esta sexta-feira ao penúltimo dia mostrando que, além da música no centro da festa, há uma extensa equipa, invisível para a maioria do público.
“Aqui, a música é o centro. Não é um mero instrumento de uma festa”, afirmou à agência Lusa o diretor artístico e de produção do FMM, Carlos Seixas.
Para o responsável, o evento, que já vai na 26.ª edição, é não só “um orgulho para toda a equipa”, como “para a cidade” de Sines, no distrito de Setúbal, que, todos os anos, se assume como a “capital das músicas do mundo”.
Mais do que proporcionar entretenimento, Seixas defendeu que a longevidade do festival se deve sobretudo “ao ambiente e à ligação afetiva” do público à cidade de Sines.
É um ambiente “muito peculiar”, por ser “um festival urbano” e, por vezes, “incómodo, sobretudo nos últimos dias”, embora esse incómodo “passe como o vento, como a brisa do mar”, afirmou.
“Não nos move o entretenimento, mas a cultura na sua essência, a diversidade e o espírito de tolerância para com outras culturas e outros povos”, observou.
Mas, para que a música possa ocupar o centro, é necessário montar uma estrutura que está quase sempre fora do alcance dos espectadores.
A exceção vai para o pequeno grupo de 30 pessoas, entre adultos e crianças, que esta sexta-feira conheceu “O Outro FMM”, uma das atividades paralelas que dá a conhecer os bastidores do festival.
Durante a visita, guiada por Liliana Rodrigues, que a Lusa acompanhou, foram revelados alguns números, incluindo os cerca de 3.800 bilhetes já reservados para os concertos de sexta-feira, até às 15h00, e a diversidade de países de origem do público.
Este ano, estão acreditadas 972 pessoas para trabalhar no festival, distribuídas por áreas como produção, organização, técnica, segurança, comunicação e acompanhamento dos artistas.
Ao ritmo do ensaio de som de A Garota Não, que atua esta sexta-feira no Castelo, a visita passou pela produção, responsável pela ligação aos artistas e pelo palco principal, com uma explicação sobre a transição entre concertos.
O percurso incluiu ainda uma visita ao espaço da organização, onde se resolvem todos os imprevistos, ao fosso reservado a fotógrafos e operadores de imagem, à “ilha” onde são controlados o som, a luz e o vídeo, e ao gabinete de comunicação.
E esta é a estrutura que sustenta “um evento de expressão cultural que junta e une gerações, culturas diferentes e povos através da música”, realçou o presidente da Câmara de Sines, Álvaro Beijinha.
O autarca destacou igualmente a preparação nas áreas da segurança e do acolhimento dos “milhares de visitantes”, com o envolvimento das forças de segurança, bombeiros e equipas médicas.
Entre outras questões, o município reforçou também as condições da zona de acampamento ocasional, numa tentativa de evitar o campismo disperso pela cidade e reduzir os transtornos causados aos residentes.
“São todos bem-vindos, mas têm, naturalmente, de cumprir regras”, afirmou.
No penúltimo dia do FMM, a programação musical começou às 18h00, no Castelo, com o projeto nacional Lavoisier, seguindo-se Aïta Mon Amour et Ouled Abda (Marrocos), às 21h00, A Garota Não, às 22h15, e o brasileiro Otto, às 23h30.
A programação prossegue depois no palco da Avenida Vasco da Gama, onde atuam, já na madrugada de sábado, Saad Tiouly (Marrocos), à 01h00, e Pedro da Linha, às 02h30.
No sábado, o festival despede-se com os concertos dos portugueses Unsafe Space Garden, às 18h00, Vitorino Salomé, às 21h00, Le Trio Jourban “20 Springs” (Palestina), às 22h15, Nana Benz du Togo (Togo), às 23h30, Órquesta Akokán (Cuba/EUA), às 00h45.
A música muda-se, já na madrugada de domingo, para a Avenida Vasco da Gama, com os concertos de Konono n.º 1 e Montparnasse Musique (R.D. Congo e França), pelas 02h15, e Isam Elias (Palestina), às 03h45.