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"O meu momento já foi. Acho que não quero mais": Neymar começa a despedir-se da seleção brasileira

Depois das dúvidas quanto à sua presença no Mundial-2026, Neymar antecipa-se e afasta-as para o próximo Campeonato do Mundo, dando sinais de concordância com o que Jesus disse na Cidade do Futebol.

O último jogo de Neymar pelo Brasil foi diante da Noruega, contra quem marcou um golo, insuficiente para evitar a eliminação do 'escrete' do Mundial-2026 nos oitavos de final
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O último jogo de Neymar pelo Brasil foi diante da Noruega, contra quem marcou um golo, insuficiente para evitar a eliminação do 'escrete' do Mundial-2026 nos oitavos de final

Jean Catuffe

O último jogo de Neymar pelo Brasil foi diante da Noruega, contra quem marcou um golo, insuficiente para evitar a eliminação do 'escrete' do Mundial-2026 nos oitavos de final

Jean Catuffe

5 de julho, MetLife Stadium, Nova Jérsia, 90+10′. Aquela grande penalidade que Neymar bateu diante da Noruega — que eliminou a canarinha do Mundial-2026, ao vencer por 2-1 — poderá, afinal, ter sido o último golo que o internacional brasileiro conseguiu pelo seu país numa grande competição. Mas não só: poderá ter sido também o último jogo.

Foram 130 jogos, 80 golos e 58 assistências no escrete. Para Neymar, os números estão fechados e, nas suas palavras, a seleção brasileira não deve contar mais com ele — incluindo no Mundial-2030, coorganizado por Portugal. “Eu agradeço, mas não. Não vai haver, não [Neymar no Mundial-2030]. O meu momento na seleção brasileira acho que já foi. Fiz história ali, sou muito feliz. Vivi muitas coisas ali: dei o meu sangue, a minha vida, sempre briguei e lutei pela amarelinha, mas acho que não quero mais”, afirmou o número 10 do Santos, na zona mista do Estádio Urbano Caldeira, em Santos, após a vitória do conjunto brasileiro sobre o Universidad Central de Venezuela (4-2) nos playoffs da Copa Sul-Americana, quando questionado sobre a esperança de Lucas Moura, ex-internacional brasileiro que falou ao Esporte Record, de ver Neymar jogar no próximo Campeonato do Mundo.

Antes de Neymar entrar nas contas de Ancelotti para o Mundial-2026, muitas foram as dúvidas. O atleta do Peixe não marcava presença na seleção brasileira desde outubro de 2023, quando ainda jogava no Al-Hilal de Jorge Jesus, onde fez apenas sete jogos em época e meia. O “talento”, como disse Ancelotti, foi o que o colocou na lista de convocados para o maior palco do mundo, mas só jogaria se merecesse, garantiu o técnico italiano. O craque do Santos descreveu o dia da convocatória como um dos “mais emocionante e felizes da sua vida” e que foi registado no seu perfil de Instagram.

Feitas as contas, jogou 37 minutos — o suficiente para marcar esse golo de despedida —, longe, ainda assim, da imagem que todos os que apoiam a canarinha guardam do extremo virtuoso que noutros tempos colocou o Brasil mais próximo do lote de favoritos a ganhar uma competição onde entrava. Para uns, o talento era suficiente. Para outros, não: um inquérito citado pelo The Guardian revelou que 53% dos brasileiros queriam Neymar no Mundial-2026, enquanto 34% não queriam e 13% estavam indecisos. E a dissonância não vem, afinal, só das bancadas.

Que o diga Jorge Jesus, que trabalhou com o craque do Santos, precisamente na altura em que este deixou de ser convocado para a seleção brasileira. Se antes do início do Mundial, Neymar parecia estar disposto a tudo para voltar a representar a seleção, agora parece concordar com as palavras que o treinador português na altura da sua apresentação como selecionador nacional: “Ronaldo jogar todos os minutos? O jogo é que dita. Não posso ter uma certeza absoluta. O importante é o rendimento do atleta. Se não estiver a render, tem de ser substituído. O nome não conta. Já treinei dois dos três melhores jogadores do Mundo, Ronaldo e Neymar. Falta-me o Messi. Disse um dia ao Neymar: ‘Tu, finish’ [estás acabado]”, recordou.

Acabado ou não, Neymar e a seleção brasileira continuam a confundir-se, mesmo que a sua ausência se venha a confirmar, daqui em diante: mais internacional que o jogador do Santos, apenas Cafu, campeão do mundo pelo Brasil, com 142 internacionalizações pelo escrete. Mais goleador do que Neymar, ninguém: Pelé tem 77 golos e Ronaldo conta com 62.

Essa história, em clubes e seleção não passa despercebida onde quer que Neymar esteja, independentemente de ser num Camp Nou cheio para ver Neymar, Messi e Suárez, num Parque dos Príncipes lotado para assistir ao novo número 10 de Paris ou num playoff de acesso aos oitavos de final da Copa Sul-Americana. E, à semelhança da dissonância sobre a sua presença no Mundial-2026, esse reconhecimento também parte do relvado. Não sobrou nem um pouco de Neymar após o apito final do jogo, depois de os atletas do Universidad Central de Venezuela terem abordado o jogador brasileiro para que lhes desse a camisola. Uma vez cedida, sobravam os calções, que também foram entregues. Mesmo depois de ficar sem calções e sem camisola, as abordagens dos venezuelanos não pararam.

Além dos números, na carreira internacional de Neymar fica marcada a conquista dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. O segundo mais internacional do Brasil, participou ainda no Mundial-2014 — competição que o Brasil terminou em quarto lugar e deixou de contar com Neymar a partir das meias-finais, por lesão —, no Mundial-2018, com uma chegada aos quartos de final, a mesma fase da competição em que o Brasil foi eliminado em 2022, no Qatar. À quarta terá sido de vez: o Mundial-2026 terá sido o último Campeonato do Mundo em que Neymar participou e, acima de tudo, a última competição em que o craque brasileiro vestiu a camisola do escrete.

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