Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, avança a Reuters, com base no depoimento de um funcionário do Departamento de Estado norte-americano. A medida será uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para o novo embaixador dos EUA no Brasil e acontece poucos dias depois de o Governo brasileiro ter negado vistos a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano que desejavam visitar o país no final de julho.

“A medida consistiu na revogação ou cancelamento do visto de um diplomata de alto escalão aqui presente. Isso não significa que ela seja deportada. Significa que ela permanece no país, mas sem visto, e que o seu visto será restabelecido caso haja um acordo para a nomeação do embaixador indicado por nós”, diz o funcionário.

“Basicamente, estávamos numa situação em que os nossos diplomatas estavam a ser impedidos de realizar o trabalho rotineiro em comum entre os dois países e, portanto, nessas circunstâncias, com a longa demora e sem promessa de fim do impasse do acordo, tomámos medidas recíprocas em relação a um diplomata brasileiro aqui presente para deixar claro que a situação não pode ser sempre unilateral”, afirmou ainda.

Há dez dias, o Brasil negou os vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que foram apontados pelo The Washington Post como parte de uma comitiva que tinha a intenção de impugnar o sistema eleitoral brasileiro — poucos meses antes das eleições presidenciais, marcadas para outubro. Já no caso do embaixador dos EUA no Brasil, o nome de Daniel Perez foi anunciado em junho, antes de uma consulta reservada às autoridades brasileiras, o que terá causado mal-estar, escreve a jornalista e comentadora política brasileira Ana Flor.

Ao portal brasileiro G1, um porta-voz do Departamento de Estado esclareceu que a embaixadora não foi declarada persona non grata, mas caso deixe os EUA e queira regressar ao país, terá de solicitar um novo visto. “O Presidente Trump está a formar uma equipa diplomática de alto nível alinhada à política ‘America First’ em todo o Governo, sujeita ao aconselhamento e à aprovação do Senado. Rejeitamos qualquer tentativa de países estrangeiros de interferir nos nossos processos internos”, afirma.

[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS.  Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]