O Ministério dinamarquês da Educação anunciou esta quinta-feira um pacote de medidas contra o uso antiético da Inteligência Artificial (IA) por parte dos alunos do ensino secundário. Os estudantes terão de passar a defender oralmente os seus grandes trabalhos escritos anuais como forma de combater a fraude por IA e a realizar mais trabalhos de casa na escola. Além disso, também se passará a usar uma firewall para monitorizar os ecrãs dos computadores dos alunos durante os testes.
O que são os grandes trabalhos escritos?
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Os grandes trabalhos escritos (større skriftlige opgave, em dinamarquês) são pequenos trabalhos de investigação individuais obrigatórios sobre uma “problemática científica”, feitos anualmente a uma ou mais disciplinas, onde aplicam os seus conhecimentos e competências adquiridas ao longo do ano, segundo o Ministério dinamarquês da Educação. Os trabalhos são escritos, mas, a partir de agora, serão também apresentados oralmente aos professores, algo que já é feito no ensino secundário profissional
“Infelizmente, temos um problema com a fraude em testes com inteligência artificial no ensino secundário. É preciso agir agora, e estamos a começar com estas três iniciativas. Em breve, vou falar com escolas, professores e alunos sobre o que pode ser feito a curto e longo prazo para garantir que a IA não prejudique as competências, o profissionalismo e, principalmente, a capacidade de pensamento crítico dos alunos”, afirmou Magnus Heunicke, ministro da Educação, em comunicado.
O pacote de medidas surge após apelos da associação de escolas secundárias da Dinamarca que denunciaram casos de fraude com IA e de diminuição das capacidades autónomas dos alunos em escrever, pensar e fazer contas sem recurso à tecnologia, refere a televisão pública dinamarquesa DR.
A Associação Dinamarquesa de Estudantes do Ensino Secundário recebeu o anúncio de forma mista. Se, por um lado, reconhece a importância do combate à fraude, por outro, considera que são “três mudanças relativamente pequenas” e que devia ser dado um foco maior na utilização responsável da IA.
“Não podemos organizar o ensino secundário de forma a que o foco seja apenas copiar e não o uso responsável da inteligência artificial”, sublinha Oscar Tønsberg Hoffmann, dirigente da associação.
A medida também divide os estudantes. À televisão pública DR, três alunos de uma escola secundária em Aalborg foram entrevistados, tendo um deles afirmado que “pode ser uma boa ideia” e que os estudantes “precisam de aprender alguma coisa”. No entanto, outros dois referem o carácter restritivo da medida, por considerarem que a IA pode ser usada como auxílio e que passar mais tempo na escola a fazer trabalhos de casa não é adequado.
“Não me consigo concentrar tão bem na escola quanto em casa, então faço parte do meu trabalho de casa em casa. Para mim, seria um pouco stressante ter de fazer o trabalho de casa na escola”, afirma uma das estudantes.
Os alunos dinamarqueses regressam às aulas na próxima semana, sendo que as medidas entrarão em vigor imediatamente. O Governo da Dinamarca avançou, também, que vai elaborar uma estratégia nacional para o uso de IA no sistema escolar.