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Antes do eclipse seis planetas alinhados e depois do eclipse uma chuva de estrelas: uma quarta-feira sempre a olhar para o céu

Esta será uma quarta-feira mágica para a astronomia. Além do eclipse total, há seis planetas alinhados antes do nascer do Sol e a melhor madrugada de Perseidas depois de o Sol se pôr.

Há dias em que é preciso acordar cedo para ver alguma coisa no céu e outros em que o melhor acontece depois do anoitecer. Esta quarta-feira, 12 de agosto, pede que fiquemos de cabeça a olhar para cima praticamente o dia inteiro. Antes do nascer do Sol, seis planetas estiveram alinhados no céu; ao fim da tarde, a Lua vai esconder grande parte do Sol em Portugal e completamente numa pequena zona de Bragança; e, quando escurecer definitivamente, as Perseidas oferecem uma das melhores noites dos últimos anos para observar a chuva de meteoros.

Há ainda uma quarta coisa a acontecer, embora seja precisamente aquela que não conseguimos ver: é dia de Lua Nova. E não é apenas mais um acontecimento para juntar à lista. A Lua é, na realidade, o fio que liga boa parte desta quarta-feira astronómica: está na fase Nova porque se encontra aproximadamente entre a Terra e o Sol; ao fim da tarde passa tão precisamente diante do Sol que provoca o eclipse; e, quando chegar a noite, continua invisível, deixando o céu sem luar para vermos muito melhor as Perseidas.

O céu desta quarta-feira conta, por isso, uma história quase contínua. E começa ainda antes do pequeno-almoço.

Seis planetas alinhados no céu

Como ver: quatro basta olhar para o céu, dois só com instrumentos

Quando podia ver: a partir das 5h30 e até às 6h15

A primeira parte do espetáculo aconteceu ainda de madrugada. Júpiter, Mercúrio, Marte, Urano, Saturno e Neptuno estiveram distribuídos ao longo de uma grande extensão do céu. Em Portugal, era preciso começar junto ao horizonte leste, o lado do nascer do Sol, e percorrer o céu em direção a sudoeste; a melhor altura dependia do local exato, da hora do nascer do Sol e, sobretudo, de quão desimpedido estava o horizonte. Mas estamos a falar entre as 5h30 e as 6h15. A configuração pode ser consultada neste mapa do alinhamento planetário de 12 de agosto.

▲ O alinhamento dos seis planetas

Não valia, porém, a pena procurar uma fila de seis bolinhas brilhantes perfeitamente alinhadas. A expressão “alinhamento planetário” cria uma imagem um pouco enganadora: os planetas não estão em fila no espaço nem aparecem desenhados a régua e esquadro no céu. Estão em pontos muito diferentes das respetivas órbitas e a distâncias enormes uns dos outros. O que acontece é que, vistos da Terra, aparecem aproximadamente ao longo da eclíptica, a faixa do céu por onde parecem deslocar-se o Sol, a Lua e os planetas.

Também não é verdade que baste levantar os olhos para ver os seis.

Marte e Saturno são os mais fáceis. Ambos são visíveis a olho nu e estavam suficientemente afastados do horizonte para serem encontrados com relativa facilidade. Marte distingue-se pela tonalidade alaranjada ou avermelhada; Saturno parece um ponto luminoso bastante estável.

Mercúrio e Júpiter também podiam ser vistos sem instrumentos, mas são bastante mais traiçoeiros. Estavam muito baixos no horizonte leste e a claridade da alvorada começou rapidamente a apagar o contraste. Júpiter é muito brilhante, mas esteve extremamente baixo; Mercúrio também exigiu um horizonte limpo. Um prédio, uma serra ou simplesmente árvores eram suficientes para os esconder.

Depois há dois planetas que não era possível que alguém conseguisse encontrar simplesmente olhando para o céu. Urano exigiu binóculos e Neptuno telescópio. Portanto, a formulação rigorosa é esta: há seis planetas envolvidos no alinhamento, quatro foram potencialmente visíveis a olho nu e dois precisaram de instrumentos.

E Vénus não fez parte deste alinhamento da madrugada. É uma distinção importante porque algumas representações que circulam nas redes sociais estão a juntar planetas que não pertencem à configuração observável naquela altura.

Há uma coisa que não vemos: a Lua

Não há como ver, está escondida pelo brilho do Sol

Só é vista quando passar em frente à Terra e o Sol

Enquanto procuramos seis planetas no céu, há um objeto muito mais familiar que praticamente ninguém conseguirá encontrar. Mas estará lá, claro: a Lua. É dia de Lua Nova, a fase em que a Lua se encontra aproximadamente na mesma direção do Sol vista da Terra. A metade lunar iluminada pelo Sol fica essencialmente voltada para o lado oposto ao nosso e, além disso, a Lua encontra-se angularmente tão próxima do Sol que desaparece no brilho do céu.

Lua Nova não significa, portanto, “não há Lua”. Significa apenas que praticamente não vemos a parte iluminada a partir da Terra. E desta vez acontece algo muito pouco frequente. A Lua não passa simplesmente perto da direção do Sol: o alinhamento é suficientemente preciso para que, vista de uma parte da Terra, passe diretamente diante dele. É por isso que há um eclipse.

Todos os eclipses solares acontecem na Lua Nova, mas não temos um eclipse solar em todas as luas novas. A explicação está na órbita da Lua, que é inclinada cerca de cinco graus relativamente ao plano da órbita terrestre. Na maioria dos meses, a Lua passa aparentemente um pouco acima ou abaixo do Sol. Só quando a Lua Nova ocorre suficientemente perto de um dos pontos em que os dois planos orbitais se cruzam — os chamados nodos — Sol, Lua e Terra ficam alinhados de forma a produzir um eclipse. A NASA explica aqui a geometria dos eclipses.

E esta Lua Nova tem ainda outra consequência que só perceberemos algumas horas depois: quando chegar a noite, não haverá uma Lua brilhante e por isso será possível ver bem as Perseidas, até as mais fracas.

Ao fim da tarde, o grande eclipse

Como ver: num sítio com visibilidade para o horizonte, em que possa ver o pôr do sol

Quando ver: a partir das 18h30 até às 20h30, o ponto máximo é por volta das 19h30

O segundo grande espetáculo do dia começa ao fim da tarde. Desta vez, é preciso olhar para oeste, para o pôr do sol. O eclipse de 12 de agosto é total à escala global, mas isso não significa que seja total em todos os lugares de onde pode ser visto. A faixa estreita da totalidade atravessa o norte da Rússia, a Gronelândia, a Islândia e o Atlântico antes de chegar à Península Ibérica. Atravessa Espanha e toca uma pequena zona de Portugal; numa área muitíssimo maior do hemisfério Norte, o eclipse será apenas parcial.

Partes do Canadá, norte dos Estados Unidos, grande parte da Europa e o noroeste de África verão alguma fase do eclipse. Quanto mais longe da faixa central, menor será a porção do Sol escondida pela Lua. A NASA tem aqui o mapa mundial do eclipse, precisamente com a faixa da totalidade e as linhas que indicam as diferentes percentagens de ocultação.

Em Lisboa, o eclipse parcial começa cerca das 18h39, atinge o máximo às 19h36, quando aproximadamente 95% da superfície aparente do Sol estará escondida, e termina às 20h29. Os horários e a percentagem podem ser consultados em vários sites — tabela da NASA para Lisboa, simulador local do Time and Date —, mas o melhor mesmo está no Observador, onde pode ver o que pode ver do eclipse no local onde estiver.

Mapa interativo do eclipse: saiba o que vai ver onde estiver e leia 14 perguntas e respostas sobre o que precisa de saber para quarta-feira

À medida que avançamos para nordeste, a ocultação aumenta. No distrito de Bragança, uma pequena área entra na faixa de totalidade: os cálculos para a região colocam o início da fase parcial por volta das 18h33 e a totalidade cerca das 19h30. A totalidade é extremamente breve, 26 segundos, junto ao limite português da faixa. O mapa de Bragança permite ver exatamente onde passa a sombra total.

▲ O eclipse desta quarta-feira vai ser total numa faixa considerável da Península Ibérica

Há aqui, contudo, um detalhe decisivo para todo o país: o Sol estará muito baixo. Não basta, portanto, céu limpo. É preciso ter o horizonte oeste desimpedido. Uma árvore, um prédio, uma serra ou uma arriba podem esconder o Sol justamente quando o eclipse estiver perto do máximo. Na costa, uma praia virada para oeste pode ser melhor observatório do que um miradouro muito alto com uma elevação pela frente. Porque 99% não é praticamente o mesmo que 100%.

É provavelmente a diferença mais difícil de imaginar antes de assistir a um eclipse. Se a Lua esconder 99% do Sol, parece lógico pensar que estamos praticamente perante um eclipse total. Astronomicamente, não estamos. A fotosfera — a superfície brilhante que vemos do Sol — é tão intensa que uma pequena porção ainda descoberta continua a produzir muita luz. O céu escurece, a luminosidade torna-se estranha e a temperatura pode mudar, mas a experiência é radicalmente diferente da totalidade.

Só quando a Lua tapa 100% da fotosfera desaparece a luz solar direta e se revela a coroa, a atmosfera exterior do Sol. É também nessa altura que podem surgir as chamadas pérolas de Baily e o efeito de “anel de diamante”, imediatamente antes e depois da totalidade. Durante todas as fases parciais é perigoso olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada. Mesmo com a superfície brilhante do Sol completamente escondida. A NASA explica aqui como observar um eclipse solar em segurança.

Óculos de sol normais, por muito escuros que sejam, não servem. Nem radiografias, negativos fotográficos ou filtros improvisados. Binóculos, telescópios e câmaras precisam de filtros solares próprios colocados à frente da objetiva.

O que acontece quando a Lua começa a tapar o Sol? Primeiro aparece uma pequena “dentada” num dos lados do disco solar. Depois cresce. E há uma experiência muito simples que permite ver o eclipse sem olhar para o Sol. A luz que atravessa pequenos espaços entre as folhas das árvores projeta crescentes solares no chão. O mesmo pode ser feito furando um cartão e projetando a imagem sobre outra superfície.

À medida que aumenta a ocultação, a luz ambiente começa também a adquirir uma aparência pouco habitual. Não é exatamente o mesmo que o fim de tarde. Num eclipse muito profundo, as sombras tornam-se diferentes e as cores podem parecer menos vivas. Dentro da totalidade, a transformação é muito mais brusca. O céu escurece, os planetas e estrelas mais brilhantes podem tornar-se visíveis e o horizonte pode adquirir cores semelhantes às de um pôr do sol em várias direções.

Mas algumas das coisas mais interessantes que o eclipse provoca não conseguimos vê-las. Quando a Lua começa a bloquear a radiação solar, o primeiro efeito acontece no chão. A superfície passa subitamente a receber menos energia. Deixa de aquecer ao ritmo normal e pode começar a arrefecer. Depois responde o ar imediatamente acima dela. A temperatura pode baixar, a turbulência atmosférica junto à superfície enfraquece e o vento pode mudar de intensidade ou direção.

É por isso que durante alguns eclipses se tem a sensação de que alguém baixou inesperadamente o termóstato. Neste caso existe uma dificuldade interessante: em Portugal o eclipse acontece já perto do pôr do sol, precisamente quando a temperatura estaria naturalmente a começar a baixar. Separar aquilo que é causado pelo eclipse daquilo que aconteceria normalmente ao fim da tarde será, portanto, mais difícil.

▲ O interativo do Observador, onde pode perceber como vai ver o eclipse no sítio onde estiver

Mas quem quiser pode fazer uma pequena experiência: medir a temperatura antes, durante e depois do máximo, observar o vento e reparar no ambiente sonoro. Porque muito mais acima acontece outra alteração que nenhum dos nossos sentidos consegue detetar. A ionosfera reage à passagem da sombra da Lua. É uma região da alta atmosfera onde a radiação solar cria iões e eletrões. Quando essa fonte de energia diminui abruptamente, a ionização e a densidade de eletrões podem também diminuir temporariamente, alterando a forma como alguns sinais de rádio se propagam.

Os eclipses são tão úteis para estudar esta relação entre o Sol e a atmosfera terrestre que a NASA os utiliza como experiências naturais. Em vez de esperar pela transição gradual entre dia e noite, os cientistas conseguem observar o que acontece quando a entrada de energia solar é interrompida rapidamente numa faixa relativamente estreita da Terra. Ou seja: enquanto milhões de pessoas estarão a olhar para o Sol, instrumentos científicos estarão a observar um eclipse invisível a acontecer na atmosfera.

E os animais? Pensam que chegou a noite? Não exatamente. Mas alguns podem reagir. A luminosidade é uma das pistas que muitas espécies utilizam para regular a atividade diária. Uma queda rápida da luz pode desencadear comportamentos normalmente associados ao anoitecer: algumas aves alteram as vocalizações, certos insetos tornam-se ativos e outros animais modificam temporariamente o comportamento.

Isso não significa que todos os animais reajam nem que exista uma resposta universal. É precisamente por haver tantas incógnitas que o Eclipse Soundscapes Project recolheu observações e gravações de ambientes naturais durante eclipses para estudar as alterações acústicas e comportamentais.

Portanto, quem estiver num jardim, num campo ou numa zona de floresta pode fazer outra experiência simples: deixar de olhar por momentos para o Sol e ouvir. Pode ser uma das formas mais interessantes de perceber que o eclipse não está apenas a acontecer no céu.

O Sol desaparece no horizonte. E começa o terceiro espetáculo, as Perseidas

Quando ver: Atingem o auge na madrugada dos dias 12 e 13

Como ver: Basta olhar para um céu limpo, onde haja pouca luz

A Lua continua a ser importante mesmo depois de o eclipse terminar. Quando chegar a noite, continua praticamente invisível — e desta vez isso é uma excelente notícia. As Perseidas acontecem todos os anos quando a Terra atravessa a corrente de partículas deixada pelo cometa 109P/Swift-Tuttle. Esses pequenos fragmentos entram na atmosfera a enorme velocidade e produzem os riscos luminosos que popularmente chamamos “estrelas cadentes”.

▲ A visibilidade das Perseidas

Não são estrelas. E a grande maioria é constituída por partículas minúsculas que se destroem muito acima do solo. Em 2026, o máximo das Perseidas coincide praticamente com a Lua Nova, eliminando um dos maiores inimigos de qualquer chuva de meteoros: o luar. Isso significa céu naturalmente muito mais escuro e há mais possibilidade de ver meteoros, até os mais ténues.

E há aqui outra confusão a evitar: uma taxa teórica elevada de partículas não significa que cada pessoa vá contar esse número de meteoros por hora. As taxas máximas pressupõem condições ideais: céu muito escuro, radiante suficientemente alto, ausência de nuvens e campo de visão amplo. Numa cidade iluminada, veremos muitos menos.

À pergunta para onde temos de olhar para ver as Perseidas, a resposta mais óbvia é: para o céu. Mas convém identificar Perseu. As Perseidas receberam o nome da constelação porque, quando prolongamos os rastos dos meteoros deixados para trás, eles parecem convergir numa região dessa constelação.

Em Portugal, Perseu encontra-se para nordeste e sobe no céu à medida que a noite avança. O nome Perseu vem de um dos grandes heróis da mitologia grega, aquele que matou Medusa sem olhar diretamente para ela e que salvou depois Andrómeda de um monstro marinho. A história ficou praticamente toda desenhada naquela região do céu: perto de Perseu estão as constelações de Andrómeda, Cassiopeia e Cefeu, personagens da mesma lenda. É também por isso que Cassiopeia, fácil de reconhecer pelo seu característico W, é uma boa referência para encontrar Perseu. A chuva das Perseidas é também conhecida como “Lágrimas de São Lourenço”, porque o máximo ocorre perto de 10 de agosto, dia de São Lourenço no calendário cristão.

Na verdade, os meteoros não vêm realmente de Perseu — estão na atmosfera terrestre —, mas, vistos da Terra, os seus rastos parecem divergir de um ponto naquela região do céu, o radiante. Mas não devemos ficar a olhar diretamente para o radiante. Os meteoros podem aparecer em praticamente qualquer zona do céu e os rastos mais compridos são muitas vezes observados a alguma distância de Perseu. Binóculos e telescópios também não ajudam: reduzem demasiado o campo de visão.

▲ Perseu, de onde, de acordo com o mito, vêm as Perseidas

O melhor equipamento é bastante menos sofisticado: um lugar escuro, uma cadeira reclinável ou uma manta e alguma paciência. Convém deixar os olhos adaptarem-se à escuridão durante cerca de 20 ou 30 minutos e evitar olhar constantemente para o telemóvel, porque a luz do ecrã destrói parte dessa adaptação. E quanto mais avançar a noite, mais alto ficará o radiante. Por isso, embora seja possível começar a procurar Perseidas depois de escurecer, as condições melhoram durante a madrugada.

Como referência científica para o calendário e a atividade das chuvas de meteoros, use a International Meteor Organization.

E se estiver a ler isto do outro lado do mundo? Nem tudo o que descrevemos será visível da mesma maneira. O alinhamento dos seis planetas pode ser observado a partir de grande parte do planeta, mas a disposição no céu, a altura dos planetas e a melhor hora mudam consoante a latitude.

No hemisfério Sul, por exemplo, o arco dos planetas aparece orientado de maneira diferente. O guia do alinhamento permite comparar os dois hemisférios. O eclipse, pelo contrário, tem uma geografia muito definida. A totalidade só existe numa faixa estreita que atravessa Rússia, Gronelândia, Islândia, Atlântico, Espanha e uma pequena zona de Portugal. Uma área muito maior da América do Norte, Europa e norte de África vê apenas um eclipse parcial; noutras regiões do planeta não há eclipse algum. O mapa mundial da NASA mostra exatamente quem vê o quê. Já as Perseidas favorecem o hemisfério Norte porque Perseu sobe muito mais no céu. No hemisfério Sul podem ser observados alguns meteoros em determinadas latitudes, mas o radiante permanece muito baixo ou nem chega a nascer nas regiões mais austrais. Quanto à Lua Nova, é global: o instante astronómico é o mesmo para todo o planeta, embora o relógio e até a data civil possam mudar consoante o fuso horário.

Seis planetas de madrugada, uma Lua invisível durante o dia, um eclipse ao fim da tarde e uma chuva de meteoros pela noite dentro. Quarta-feira é daqueles raros dias em que vale a pena olhar para o céu antes do pequeno-almoço — e continuar até à madrugada seguinte.

[O espião português suspeito de vender segredos à Rússia voa para Roma e as autoridades estão determinadas a apanhá-lo em flagrante a passar informações a um agente de Moscovo. “A vida dupla do espião traidor” é o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pelo ator Ivo Canelas, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube. E pode ouvir aqui o primeiro episódio e aqui o segundo.]

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