O antigo ministro ucraniano da Defesa Mykhailo Fedorov pediu esta terça-feira a realização de eleições no país, suspensas devido à guerra, para impedir a Rússia de tornar “refém” a democracia da Ucrânia.
“Precisamos de responder a uma questão fundamental: como um Estado deve funcionar se a guerra durar anos? E depois: o que acontece se a guerra durar mais um ano? Dois? Três? Será que a Rússia poderia realmente obter o direito de determinar quando os ucranianos poderão eleger o seu governo novamente? Estou convencido de que não. A democracia não pode ser feita refém da Rússia”, afirmou num discurso publicado no seu canal de YouTube e citado pela Ukrainska Pravda.
Fedorov assume que realizar eleições durante a guerra é “difícil”, devido à organização do processo eleitoral que garanta o voto dos militares e dos emigrantes, mas que a “complexidade não significa impossibilidade”. “A Ucrânia já fez muitas vezes o que o mundo considerava impossível”, sublinhou.
Um outro assunto abordado pelo antigo ministro da Defesa foi a corrupção, denunciando como “perigosa” a nomeação de pessoas pela sua “lealdade pessoal ao sistema”, em vez de pelo seu “profissionalismo, resultados ou capacidade de mudar o país”.
“Não é assim que um Estado moderno pode funcionar e muito menos um país que está a travar uma guerra pela sua existência”, sublinha, afirmando que, durante a guerra, “a corrupção assume um significado completamente diferente”.
Mykhailo Fedorov foi ministro da Defesa entre janeiro e julho de 2026, quando foi demitido por alegadas divergências com o Chefe do Estado-Maior do Exército. No entanto, a demissão é contestada pela população que há um mês se manifesta nas ruas pelo regresso de Fedorov ao Governo, lembra a Ukrainska Pravda.
Esta terça-feira, o Presidente do Parlamento ucraniano e vários deputados anunciaram a nomeação de Yevheniy Khmara como ministro da Defesa.
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