A líder do PS Madeira, Célia Pessegueiro, considerou esta quarta-feira que o executivo regional PSD/CDS-PP tem governado com base nas verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, acusando-o de mentir quando afirma que o programa será executado a 100% na região.

“Se não fosse o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], os investimentos na região teriam sido quase nulos”, refere em comunicado, adiantando que, nos últimos anos, o executivo madeirense, liderado pelo social-democrata Miguel Albuquerque, “governou essencialmente com as verbas deste programa”.

A líder socialista considera “certo” o aproveitamento dos fundos, mas critica a postura do Governo Regional ao traçar objetivos que “acabaram por não ser cumpridos“, apesar de o chefe do executivo falar numa execução de 100%.

A 15 de agosto, Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional do PSD, garantiu que nenhuma obra do Plano de Recuperação e Resiliência ficará por concretizar no arquipélago.

Falando à margem da participação na missa em honra de Nossa Senhora do Monte, a padroeira da Madeira, Albuquerque destacou as obras em curso para criar 600 novos lugares em lares geridos por instituições particulares de solidariedade social e a construção de 325 fogos habitacionais, prevendo a sua conclusão para setembro ou outubro.

Na ocasião, o governante assegurou que nenhuma obra financiada pelo PRR ficará por concretizar no arquipélago.

A líder do PS Madeira considera que “isso não corresponde à verdade” e indica, como exemplo, que ficaram por construir 317 habitações das inicialmente anunciadas.

“Qualquer outro discurso que se faça neste momento é deturpar a realidade”, afirmou.

Célia Pessegueiro esteve esta quarta-feira junto a um empreendimento habitacional construído com fundos do PRR, na zona da Levada do Cavalo, no Funchal, cujos fogos, segundo disse, ainda não foram entregues.

“Estamos a falar de habitação a custos controlados para a classe média, que neste momento não encontra solução no mercado compatível com os ordenados que tem”, refere, reforçando: “Estas habitações não serem entregues imediatamente após a sua conclusão é também um sinal de insensibilidade da parte do Governo, que não está preocupado com quem está lá fora a pagar renda ou vive numa casa que não tem as condições adequadas.”