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Volodymyr Zelensky assinalou esta segunda-feira o 35.º aniversário da independência da Ucrânia. Numa cerimónia em Kiev, que contou com a presença de vários líderes europeus, o Presidente ucraniano comemorou a “força e a resiliência” do povo ucraniano, lembrou as vítimas da guerra com a Rússia e arriscou-se mesmo a olhar para o futuro.
“Os ucranianos não vão ser pedras de calçada sob os pés dos czares e dos governantes. Os ucranianos não vão ser moeda de troca em disputas entre capitais. Os ucranianos não se vão submeter ao que não acreditam e, certamente, não vão abandonar o seu sonho — o sonho de viver de forma independente“, declarou.
Esse sonho, elaborou, era tão evidente em 1991, durante o processo de desmantelamento da União Soviética, como em 2026, quando Kiev continua a fazer frente, pelo quinto ano consecutivo, à invasão russa. Zelensky começou por lembrar dois soldados mortos em combate. Nascidos em 2003 e 1997, os dois jovens “não testemunharam aquele dia histórico em 1991 (…) mas tinham o mesmo espírito que preserva a força do povo [ucraniano]”, declarou, traçando a linha entre presente e passado.
35 years of our independence. Thirty-five years since the Act of Declaration of Independence of Ukraine was adopted. Ukrainians preserved the independence of their country. And we will certainly defend Ukraine’s independence. There is no doubt about that. Ukraine will always be… pic.twitter.com/JhRN7uU2ox
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) August 24, 2026
Feitas as homenagens ao “povo com P maiúsculo”, o Presidente ucraniano dedicou ainda palavras aos “amigos da Ucrânia”. “Numa guerra como esta, não teriam sido suficientes as armas de nenhuma nação, por si só. Nenhuma nação teria aguentado ataques tão severos sem o resto do mundo. Nenhum povo devia ser deixado sem apoio quando tal brutalidade — tal guerra — está a ser travada contra ele”, continuou Zelensky.
Garantindo que a Ucrânia “sabe ser grata” e que “esta não é altura para se gabar”, o Chefe de Estado insistiu, ainda assim, na importância das capacidades militares de Kiev para o futuro da Europa. “Estes amigos da Ucrânia estão aqui hoje connosco (…) porque sabem do que este país é realmente capaz”, declarou, acrescentando: “Hoje, vamos ver o poder ucraniano. O que usamos para proteger a vida do nosso povo e o que, depois desta guerra, vai permitir que a Ucrânia se torne um verdadeiro garante da segurança dos seus parceiros, em primeiro lugar dos seus amigos — da nossa Europa, de todos aqueles que nos ajudaram desde o início da guerra e de todos aqueles que nos ajudam agora”.
Modelos dos Storm Shadow e pacotes de defesa aérea: as prendas dos aliados europeus
Os pedidos e promessas aos aliados europeus não estavam reservados apenas para a cerimónia oficial. Ainda esta segunda-feira, o Presidente da Ucrânia recebeu em Kiev mais um encontro da Coligação das Vontades, o grupo de países europeus que, liderados pelo Reino Unido, França e Alemanha, coordenam o apoio militar e económico à Ucrânia.
Na abertura da reunião, Zelensky saudou em particular o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que, naquela que foi a sua primeira visita a Kiev como chefe do Governo, aprovou a entrega dos modelos para os componentes de fabrico britânico do míssil Scalp — a versão francesa dos mísseis cruzeiro britânicos Storm Shadow. Os modelos deverão servir como base para Kiev poder investir na construção dos seus próprios mísseis cruzeiro. “Estamos muito agradecidos à vossa indústria”, declarou o líder ucraniano na reunião.
We value the format of the Coalition of the Willing – it brings together countries that are ready not only to talk about security, but to act and to build real security together.
Now, we have to deal with a funding gap. Because of the way defense budgeting works, at the… pic.twitter.com/4cH8IlryB9
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) August 24, 2026
O Presidente ucraniano agradeceu ainda ao Presidente francês, Emmanuel Macron, e ao Presidente do Conselho Europeu, António Costa, que também marcaram presença na capital ucraniana. Friedrich Merz, o chanceler alemão, participou no encontro por videoconferência, tal como o representante da diplomacia portuguesa, o ministro Paulo Rangel.
Terminadas as celebrações dos 35 anos, a reunião serviu para discutir temas mais concretos, os mesmos que têm ocupado os anteriores encontros da Coligação: pacotes de defesa antiaérea, de apoio ao sistema energético e de financiamento para a produção de drones, a transferência de fundos europeus para colmatar um vazio de 27 mil milhões de hryvnias (cerca de 500 milhões de euros) no orçamento do Ministério da Defesa, o descongelamento dos ativos russos, detalhes sobre negociações diplomáticas e ainda a adesão da Ucrânia à União Europeia.
Pela voz do Reino Unido, França e Alemanha, a coligação expressou, por sua vez, “a sua determinação em aumentar o apoio militar à Ucrânia, reforçar urgentemente as suas defesas aéreas, intensificar a cooperação com a sua indústria de defesa e partilhar tecnologias relevantes, incluindo através da Coligação de Mísseis Antibalísticos”.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]