O Governo de Singapura vai atribuir às famílias mais de 47 mil euros por cada filho, ao longo dos primeiros 17 anos de vida, através de um novo pacote de apoio anunciado pelo primeiro-ministro Lawrence Wong no domingo. A medida, que inclui verbas para despesas como a educação, pretende incentivar os nascimentos num país que enfrenta uma quebra acentuada da natalidade e que tem uma população cada vez mais envelhecida.
“O trabalho ainda está em curso. O nosso objetivo vai além de melhorias graduais ou mudanças em programas individuais. Queremos promover uma mudança fundamental na forma como apoiamos as famílias”, afirmou Lawrence Wong, citado pelo The Straits Times. “Vamos simplificar as coisas. Todas as crianças receberão o mesmo nível de apoio. Ofereceremos mais apoio não só no nascimento, mas ao longo dos anos, à medida que as crianças crescem”, disse.
O novo pacote, segundo o jornal, abrangerá as crianças singapurenses nascidas em 2026, bem como as que tenham entre um e 17 anos durante este ano. Os apoios serão calculados em função da idade de cada criança, com os primeiros pagamentos previstos para 2027.
Segundo o jornal singapurense, o apoio inclui um “presente para bebés” de aproximadamente 6.750 euros em dinheiro, para além de cerca de 21.600 euros em créditos destinados às crianças. A medida contempla ainda um subsídio inicial de cerca de 4.200 euros para a conta de desenvolvimento infantil (CDA), até 4.200 euros em contribuições do Governo para essa mesma conta e um reforço de cerca de 8.400 euros na conta destinada à educação pós-secundária.
No domingo, Wong anunciou também um aumento dos dias de licença parental e uma nova medida de apoio à habitação. As famílias que se candidatarem a novas casas públicas através do sistema de sorteio receberão uma oportunidade adicional por cada filho que tenham ou estejam à espera, aumentando as probabilidades de conseguirem uma habitação.
O primeiro-ministro afirmou ainda que Singapura terá de continuar a acolher migrantes, garantindo ao mesmo tempo que os seus cidadãos continuam a ser a maioria. “Nos próximos anos, a nossa população total crescerá mais lentamente e a nossa força de trabalho também crescerá mais lentamente”, disse.
A taxa de fecundidade de Singapura caiu, no ano passado, para um mínimo histórico de 0,87 filhos por mulher, uma situação que o Governo considera preocupante. Ao mesmo tempo, o país caminha também para se tornar uma sociedade “superenvelhecida”, num contexto de rápido envelhecimento da população.
Em 2025, nasceram 29.864 bebés, apenas mais 3.365 do que o número de mortes registadas, que ascendeu a 26.499, segundo o relatório da Autoridade de Imigração e Postos de Controlo, divulgado a 27 de julho, segundo o The Straits Times.
No entanto, uma sondagem divulgada poucos dias antes do discurso de Wong revelou que quase um terço dos singapurenses entre os 18 e os 44 anos considera que nenhuma medida do Governo os faria mais propensos a ter filhos. Entre as políticas apontadas como mais suscetíveis de incentivar a parentalidade, a redução dos custos da educação pré-escolar e das creches surgiu em primeiro lugar.
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