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O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, endureceu esta terça-feira o discurso contra os Estados Unidos, considerando inapropriados os ataques de altos responsáveis norte-americanos ao Canadá e advertindo que não retomará negociações comerciais enquanto se mantiver a atitude provocatória.
“Está abaixo da dignidade dos seus cargos”, declarou Carney ao ser questionado sobre os insultos dirigidos por membros do Governo norte-americano às Forças Armadas canadianas.
Canadian PM Mark Carney:
When the Americans stop doing memes, stop throwing shade, stop trying to be tough, and start being serious about having those discussions, we can have those discussions.
It’s not constructive, but that’s their democracy. pic.twitter.com/ndVutZNp33
— Clash Report (@clashreport) September 1, 2026
O chefe do executivo do Canadá criticou também outras ações recentes de Washington, entre as quais as piadas sobre os cadetes canadianos e a mudança do nome do lago Ontário para “lago América” pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
“Quando os norte-americanos deixarem de fazer memes, de lançar farpas e de tentar parecer duros e começarem a levar a sério estas conversações [comerciais], poderemos realizá-las. Isto não é construtivo. Mas é a democracia deles”, afirmou.
Insistiu que o Canadá está disposto a alcançar um acordo comercial “mutuamente benéfico” com os Estados Unidos, mas sublinhou que qualquer pacto terá de respeitar a soberania canadiana e o direito do país a proteger a cultura do Quebeque e a língua francesa.
O líder liberal sustentou que, durante as negociações, Washington apresentou condições que poderiam limitar a capacidade de Otava para assinar acordos comerciais com países terceiros.
“O Canadá é um Estado soberano. Assinaremos acordos de livre comércio com os países com os quais queiramos assiná-los”, sentenciou.
Carney denunciou igualmente que as propostas norte-americanas pretendiam converter setores industriais estratégicos canadianos em “filiais” dos seus equivalentes norte-americanos ou impor condições que causariam o seu gradual desaparecimento.
“Não vamos aceitar essas condições”, assegurou.
O chefe do Governo canadiano emitiu estas declarações depois da vitória liberal nas três eleições parciais realizadas na segunda-feira — um resultado que interpretou como “um voto de confiança” na estratégia do seu Governo para fortalecer a economia do país e reduzir a sua dependência dos Estados Unidos, num contexto de escalada de tensão comercial e diplomática bilateral.
Questionado sobre se o resultado eleitoral se devia a Trump, Carney respondeu: “Não, deve-se ao nosso plano”.