Eurodeputados de partidos de direita e extrema-direita, incluindo o português Chega, manifestaram-se esta quarta-feira junto ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, em solidariedade com Ceuta e para exigir uma resposta política às entradas irregulares no enclave espanhol.

“O que está a acontecer em Ceuta é de uma gravidade enorme. Todos os dias há violações e violência, muitos dos que entraram têm antecedentes criminais e alguns serão potencialmente terroristas”, afirmou à agência Lusa o eurodeputado do Chega Tiago Moreira de Sá, que participou na ação.

Na manifestação, que ocorreu no Dia de Ceuta e contou com centenas de pessoas, participaram eurodeputados do Partido Popular Europeu, dos Patriotas pela Europa (no qual se insere o Chega), dos Conservadores e Reformistas Europeus e da Europa das Nações Soberanas, juntamente com deputados não inscritos.

Ceuta, enclave espanhol no Norte de África com cerca de 84 mil habitantes, registou no final de julho uma entrada em massa de migrantes a partir de Marrocos, estimada pelas autoridades espanholas em cerca de 72 mil pessoas, das quais cerca de 5.000 permaneciam na cidade no final de agosto.

Tiago Moreira de Sá classificou o sucedido em Ceuta como consequência de “opções políticas erradas“, responsabilizando o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez.

O eurodeputado do Chega acusou, também, as políticas europeias de não responderem adequadamente à imigração irregular e criticou o Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, que, considerou, “procura institucionalizar o problema em vez de o resolver”.

O Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, aprovado em 2024, estabelece um novo quadro comum da União Europeia para gerir a migração e o asilo, incluindo regras sobre controlo das fronteiras externas, pedidos de asilo, solidariedade entre Estados-membros e retornos.

“Precisamos de parar com a imigração ilegal e avançar com o retorno de todos os que entraram ilegalmente, para além de atacar sem misericórdia todas as redes de tráfico humano”, adiantou Tiago Moreira de Sá à Lusa.

Na manifestação, estiveram também partidos da oposição espanhola, como Partido Popular (direita) e Vox (extrema-direita), que voltou a exigir a demissão do Governo espanhol devido à forma como geriu a situação.