O Ministério Público espanhol registou 23 agressões sexuais cometidas contra migrantes em Ceuta desde o dia 30 de julho, quando mais de 70 mil pessoas entraram de forma ilegal no enclave espanhol na costa africana. As autoridades estão a investigar oito homens suspeitos: quatro marroquinos, três espanhóis e um belga, segundo os dados divulgados esta terça-feira pelo El País. Os restantes suspeitos ainda não foram identificados.

Cinco das agressões sexuais registadas contra migrantes foram violações. Nove das vítimas são adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos. Também há registo de uma agressão sexual a um homem da comunidade LGBTI.

A ministra da Igualdade de Espanha, Ana Redondo, adiantou que nove crianças migrantes desacompanhadas — e que foram alvo de agressões sexuais — foram acolhidas no centro de resposta a crises em Ceuta, que funciona 24 horas por dia. Redondo revelou ainda que o Governo espanhol solicitou que as vítimas pudessem permanecer no centro além das 72 horas estabelecidas na lei, “até que tenham uma alternativa confiável e segura”.

A Procuradora-Geral da Espanha, Teresa Peramato, visitou Ceuta na última quinta-feira, tendo adiantado que houve “um aumento em certas categorias de crimes”, particularmente as agressões sexuais. A 12 de agosto, o Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia — que tem jurisdição sobre a região autónoma de Ceuta — anunciou a prisão de dois homens marroquinos e a deportação de um terceiro, acusados de dois crimes de agressão sexual.

Uma cidadã marroquina, que entrou em Ceuta de forma ilegal, contou à Reuters, em agosto, que as mulheres sofriam assédio por parte de outros imigrantes. “É muito mau. Muitos homens tentam atacar as mulheres todas as noites, às vezes quando vamos à casa de banho. Eles seguem-nos”, disse Wafae Atid, de 28 anos.