A presidente da Câmara Municipal de Portalegre, Fermelinda Carvalho, disse esta quarta-feira que está a acompanhar o processo de reorganização da Unidade de Oncologia do hospital da cidade, manifestando disponibilidade para reunir utentes e administração para encontrar soluções.

A autarca, que falava na reunião ordinária do executivo municipal, considerou este caso “delicado” e que deve ser gerido “com pinças” até que seja encontrada uma solução que satisfaça todas as partes.

“Eu reuni com o senhor presidente do conselho de administração [da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo] e também recebi um e-mail das representantes do grupo informal [utentes] que se organizou para debater esta temática e dei nota às pessoas que estou a acompanhar a situação e disponível, obviamente, para reunir com todos”, disse.

Fermelinda Carvalho sublinhou ainda que está disponível para “reunir novamente” com o conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo “com ou sem o grupo” de utentes, dependente da vontade das partes envolvidas.

“É algo delicado, tem de ser gerido com pinças, o conselho de administração tem acompanhado o assunto, as pessoas também têm acompanhado, obviamente que nestas matérias há sempre várias versões, às vezes a verdade está pelo meio, mas é de facto uma matéria que também me preocupa”, alertou.

Manifestando disponibilidade “para ajudar” a encontrar uma solução, Fermelinda Carvalho quer que os doentes “fiquem contentes” no final deste processo com a solução que for encontrada e que a administração da ULS do Alto Alentejo “tenha a liberdade de dirigir a casa para a qual foi mandatada”.

Em comunicado divulgado na passada quinta-feira, a ULS do Alto Alentejo disse rejeitar “qualquer interpretação” que aponte para uma diminuição da resposta aos utentes na Unidade de Oncologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, e garantiu que o serviço vai ser reforçado.

Na ocasião, o conselho de administração da ULS afiançou que a resposta assistencial na área da oncologia “não será reduzida”, estando, pelo contrário, “em preparação um conjunto de medidas” destinado ao seu “reforço e desenvolvimento”.

A ULS do Alto Alentejo afirmou ainda que tem trabalhado na “consolidação da capacidade assistencial” da unidade de oncologia, “prevendo o reforço” de recursos humanos diferenciados e a “melhoria das condições infraestruturais e organizacionais” necessárias para responder de forma cada vez mais eficaz.

O PCP exigiu na terça-feira esclarecimentos sobre a reorganização da Unidade de Oncologia do hospital de Portalegre, argumentando que as explicações apresentadas pela ULS do Alto Alentejo “não são compatíveis” com a atividade assistencial.

Em comunicado, a Direção da Organização Regional de Portalegre (DORPOR) do PCP considerou que as explicações da ULS Alto Alentejo sobre esta matéria são “cada vez mais inconsistentes”.

Segundo o PCP, depois de a administração da ULS do Alto Alentejo ter negado qualquer redução da resposta aos doentes e afirmado que a contratação de um novo oncologista visa reforçar o serviço, “verifica-se agora” que o período de consultas assegurado pelo atual oncologista “foi reduzido para cerca de metade” da atividade que desenvolvia até agosto.

Também o PS, no dia 1 deste mês, questionou o Governo sobre as “alterações que estão a ser preparadas” na Unidade de Oncologia do hospital de Portalegre e exigiu saber quais os “fundamentos clínicos, técnicos e assistenciais” que sustentam a decisão.

PS questiona Governo sobre alterações no serviço de oncologia do hospital de Portalegre

As preocupações constam de uma pergunta subscrita por sete deputados socialistas, entre os quais Luís Moreira Testa, eleito pelo círculo eleitoral de Portalegre, e entregue no parlamento, dirigida à ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Também a Federação Distrital de Portalegre do PS, num comunicado divulgado no dia 02 deste mês, alertou para uma possível reestruturação do serviço de oncologia do hospital.