A Universidade de Évora (UÉvora) pretende candidatar, até março do próximo ano, uma nova proposta de criação do Mestrado Integrado em Medicina na academia, já “chumbada” por duas vezes, revelou esta quarta-feira o reitor, António Candeias.

Questionado pela agência Lusa sobre o ponto de situação deste processo, o reitor indicou que a UÉvora vai, “agora, avançar com todo o processo de reestruturação do curso, de criação de parcerias para que o curso também tenha sustentabilidade”.

E, depois, “até março”, a academia alentejana vai submeter a proposta reestruturada do curso à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), acrescentou. “Estamos a constituir o grupo de trabalho, também um grupo estratégico de acompanhamento”, referiu, assinalando estes primeiros passos ligados à reformulação do projeto.

O objetivo da universidade alentejana é “voltar a submeter uma candidatura” para a criação desse curso, desta vez com outro resultado por parte da A3ES. “Esperamos que seja uma candidatura mais consistente, mais alinhada com aquilo que são os desafios do ensino e também da própria região”, argumentou.

A expectativa é que “isso, depois, seja valorizado pela agência [A3ES] e pela equipa de avaliadores”, disse António Candeias, acrescentando que acredita na aprovação: “Estou convencido de que vamos ser bem-sucedidos.”

Em 13 de abril deste ano, a A3ES publicou na sua página na Internet a decisão de “chumbar” a criação do Mestrado Integrado em Medicina na Universidade de Évora, por a proposta não cumprir “plenamente critérios essenciais”. Esse foi o segundo “chumbo” por parte da agência, já que, pouco mais de um ano antes, uma primeira proposta para abrir este curso na academia alentejana tinha sido igualmente reprovada, tendo então a UÉvora revelado a intenção de reformular e submeter novo projeto.

Na segunda deliberação, datada de 25 de fevereiro deste ano, a A3ES explicou que o conselho de administração decidiu não acreditar este ciclo de estudos em concordância com a recomendação e fundamentação da Comissão de Avaliação Externa e tendo em conta o parecer desfavorável da Ordem dos Médicos (OM). “A proposta não cumpre plenamente critérios essenciais da A3ES e da World Federation for Medical Education [Federação Mundial para a Educação Médica, em português]”, referiu a agência.

E apontou quatro aspetos centrais, nomeadamente que a sustentabilidade do programa era “incerta a curto e longo prazo, especialmente no referente a infraestruturas e recursos humanos — docentes e não docentes — e financeiros”. “O corpo docente é insuficiente e desigualmente qualificado”, aludiu também, acrescentando não observar “medidas ativas de desenvolvimento de um plano docente estruturado ou de estruturas de governação que assegurem a formação pedagógica dos docentes e a integração entre ensino e investigação”.

O outro aspeto referido foi a “falta de infraestruturas essenciais, nomeadamente um hospital universitário central completamente funcional e adaptado à formação clínica”.

Acrescentou ainda que “as instalações de simulação clínica propostas são inadequadas”, devido, por exemplo, a um défice “de pessoal e inexistência de planos de atualização e formação de docentes e estudantes”.