O PCP votou esta terça-feira contra um voto de pesar apresentado na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) pela morte de Pavlo Sadokha, presidente de longa data da Associação dos Ucranianos em Portugal. Sadokha, que foi distinguido em 2017 pelo Presidente da Ucrânia com a Ordem de Mérito (Classe III), morreu no domingo aos 56 anos.
Na declaração de voto entregue à mesa da AML, o PCP explica que “não pode acompanhar um voto que branqueia e valoriza o percurso de uma figura caracterizada por uma postura de enaltecimento dos colaboradores com o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, responsáveis por inúmeras atrocidades; de apoio a forças de extrema-direita e fascistas e a um poder belicista, xenófobo, persecutório e antidemocrático, sustentado por grupos que reivindicam o legado nazi; com posicionamentos e apelos em Portugal de conteúdo antidemocrático e persecutório visando os que são solidários com o povo ucraniano, que rejeitam que este seja sacrificado como carne para canhão numa guerra que nada tem a ver com os seus interesses e aspirações, que defendem a construção de um caminho de paz”.
Os cinco deputados municipais comunistas defendem que o voto de pesar pela morte do ativista ucraniano não se coaduna com a defesa dos valores da paz, liberdade e democracia. “Rejeitando a política de confrontação, de escalada armamentista, de guerra, que querem impor aos povos da Europa, com todas as dramáticas consequências e sérias ameaças que comporta, o PCP continuará empenhado na defesa do caminho da paz, da resolução política dos conflitos, da segurança coletiva e da cooperação, da amizade entre os povos, o único caminho que pode garantir o futuro da Humanidade”, concluem.
O grupo municipal do PCP foi o único que não votou favoravelmente ao voto de pesar apresentado pelo PSD na reunião da AML desta terça-feira.
Pavlo Sadokha também se dedicou à defesa da cidade de Lisboa. Nas eleições autárquicas de 2025, integrou a lista à Assembleia Municipal de Lisboa da coligação “Por ti, Lisboa” (PSD/CDS/IL). “A ligação de Pavlo Sadokha a Lisboa ultrapassou a representação da comunidade ucraniana. Escolheu participar ativamente na vida cívica e democrática da cidade que o acolheu, integrando, nas eleições autárquicas de 2025, a lista à Assembleia Municipal de Lisboa da coligação Por ti, Lisboa. Essa disponibilidade para servir politicamente a sua comunidade e a sua cidade constitui igualmente testemunho de uma integração vivida através da participação e da cidadania”, lê-se no voto de pesar entregue pelo PSD, partido no qual Sadokha militava.
“Desde cedo ligado ao associativismo e à organização da comunidade ucraniana em Portugal, assumiu, em 2010, a presidência da Associação dos Ucranianos em Portugal, desempenhando igualmente a vice-presidência para a Europa do Sul no Congresso Mundial dos Ucranianos. A sua intervenção pública adquiriu uma relevância ainda maior após a invasão da Ucrânia pela Federação Russa, em fevereiro de 2022. Pavlo Sadokha tornou-se uma das principais vozes da comunidade ucraniana em Portugal, denunciando as consequências humanas da guerra, defendendo o direito do povo ucraniano à autodeterminação e mobilizando a sociedade portuguesa para a solidariedade com aqueles que foram obrigados a abandonar o seu país”, acrescenta-se no voto de pesar.
Morreu Pavlo Sadokha, presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal