A Câmara de Espinho consignou esta segunda-feira, por 4,6 milhões de euros, a requalificação da Escola Básica e Secundária Domingos Capela, cujas más condições ainda em fevereiro geraram uma concentração de protesto pelos respetivos alunos.
Com uma duração que a autarquia estima em “cerca de dois anos letivos”, a empreitada nesse estabelecimento de ensino do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto era reclamada desde o início da década de 2010 e tornou-se mais urgente no início de 2026, quando sucessivas tempestades agravaram o mau estado geral do equipamento que, inaugurado em 1995, nunca recebeu entretanto obras adequadas de manutenção e conservação.
O presidente da Câmara de Espinho, Jorge Ratola, recordou à Lusa que teve que rever todo o projeto de obras do executivo anterior – porque, entre outros aspetos, a gestão socialista não acautelara o funcionamento das aulas durante a execução dos trabalhos -, mas disse que a intervenção abrange agora todas as componentes necessárias para que a atividade letiva possa decorrer em paralelo à empreitada.
“Vamos começar pelas obras no pavilhão desportivo e até janeiro passaremos às outras zonas da escola”, anunciou o autarca social-democrata.
Essa ordem cronológica prende-se com o facto de ainda estarem a decorrer dois concursos públicos indispensáveis para a requalificação: um para aluguer e instalação dos contentores que vão acolher as turmas enquanto decorrerem as obras nas salas de aula, o que deverá acrescentar quase 330.000 euros à despesa municipal; e outro para contratar os serviços de fiscalização, coordenação da obra e gestão dos seus resíduos, o que irá acrescentar quase 186.000 euros à fatura global.
“Esses concursos já vão ficar resolvidos agora em outubro, mas não queríamos esperar mais – esta obra tinha mesmo que avançar, porque a comunidade já esperou demais por ela”, afirmou Jorge Ratola, convicto de que a empreitada dará finalmente à escola “todas as condições que já existem nos outros estabelecimentos de ensino do concelho”.
O autarca também acredita que, uma vez terminada a intervenção pela empresa REBAU – Construção, Recuperação e Manutenção de Edifícios S.A., o estabelecimento de ensino em causa se revelará mais atrativo para a população do concelho e da região, pelo que o investimento atual, ao antecipar o aumento de alunos decorrente das novas condições da Domingos Capela, está sobretudo “a privilegiar o futuro”.
Ilídio Sá, diretor do Agrupamento de Escolas Manuel Gomes de Almeida (que tutela o estabelecimento a intervencionar), também está “otimista” e, mesmo prevendo “incómodos inevitáveis” como “barulho, presença de máquinas e pó”, disse que é preferível “conciliar obras e empreitada do que prolongar a situação” ou ter que encerrar temporariamente o estabelecimento, deslocando todos os alunos para outras localizações.
E, por isso, encarou os inconvenientes que se aproximam como males menores num período de “sacrifício para o bem de todos”.
Quanto à reorganização dos espaços letivos quando os trabalhos incidirem sobre as salas de aula, o mesmo professor informou: “Os alunos do 5.º e 6.º ano vão ter aulas na Escola Básica de Silvalde, que é mesmo ao lado e até tem um portão interno de ligação à Domingos Capela. Os alunos do 3.º ciclo e do Curso Profissional de Desporto terão as aulas teóricas nos monoblocos [contentores] e as práticas na Nave Polivalente de Espinho, para onde a Câmara vai arranjar uma solução de transporte”.
Ilídio Sá considerou que o mais importante é que a empreitada a terminar até meados de 2028 seja uma oportunidade “não só para requalificar a escola, mas também para recuperar a sua reputação”.
Lembrando que a Domingos Capela estava em “condições mesmo muito más” e que o mau aspeto do pavilhão desportivo até era “visível a partir do exterior, para quem circulava na rua”, o diretor do agrupamento apontou essa degradação como uma das razões para a diminuição significativa do número de alunos a frequentar esse estabelecimento nos últimos 10 a 15 anos: “Chegámos a ter 500 alunos e agora são só 140. Isto tem que ser uma oportunidade para os recuperar”.
Nessa perspetiva, Ilídio Sá argumentou que o trabalho a fazer pelas escolas de Espinho não terminará com esta empreitada: “Depois disto é preciso reorganizar a rede educativa municipal, que, neste momento, está um bocado disfuncional. Numas escolas há alunos a menos, noutras há alunos a mais e nada disso é bom, portanto faz todo o sentido reorganizar a rede para se conseguir uma distribuição mais equilibrada dos estudantes e se dar melhores condições a toda a gente”.