Os deputados do PS e do PCP manifestaram-se esta terça-feira preocupados com o encerramento da fábrica de calçado Ecco, em Santa Maria da Feira, por causar perdas à economia nacional e vulnerabilidade familiar a 632 novos desempregados.
Fecho da fábrica de calçado Ecco em Portugal deixa 632 trabalhadores no desemprego
Em causa está o anúncio, na segunda-feira, do “encerramento total e definitivo”, feito pela multinacional dinamarquesa, que tinha em funcionamento desde 1984 uma fábrica no concelho de Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto.
Em comunicado, os deputados socialistas dizem já ter questionado o Ministério da Economia sobre o assunto, pedindo “esclarecimentos sobre as razões que estão na origem desta decisão”, que a empresa disse à Lusa dever-se a uma “reestruturação mais ampla da organização produtiva global da Ecco”, o que também irá envolver o fecho da fábrica no Vietname e poderá ainda significar “uma redução de cerca de 400 postos de trabalho nas funções regionais e globais do Grupo, incluindo na Dinamarca”.
Para o PS, a fábrica da freguesia de São João de Ver vinha assumindo “um papel relevante na indústria nacional do calçado, na capacidade exportadora (do país) e na criação de emprego em Santa Maria da Feira“, portanto importa saber que medidas o Governo pretende adotar “para minimizar os impactos económicos, industriais e sociais” do fecho da unidade, que o sindicato do setor prevê concluído até final do primeiro trimestre de 2027.
“O encerramento representa uma perda muito significativa para a economia local e nacional, não apenas pelo impacto direto sobre centenas de trabalhadores e respetivas famílias, mas também pela destruição de capacidade industrial, conhecimento técnico e competências especializadas acumuladas ao longo de décadas”, refere o comunicado socialista.
O partido defende, por isso, que “o Governo não pode limitar-se a acompanhar passivamente uma decisão com esta dimensão económica e social, sendo fundamental agir, procurar alternativas que permitam preservar a atividade industrial e os postos de trabalho, e garantir que os trabalhadores abrangidos dispõem de respostas concretas para enfrentar esta situação”.
Questionando o ministério também sobre “a eventual atribuição de apoios públicos, nacionais ou europeus à empresa ou a sociedades do grupo”, os deputados do PS querem ainda saber “que diligências serão desenvolvidas para avaliar alternativas ao encerramento, incluindo a possibilidade da entrada de novos investidores ou de transferência da exploração para outro operador económico”.
Já os deputados do PCP realçam que, após 40 anos de laboração em Portugal, a Ecco era “uma das maiores produtoras de calçado” no país e, “ao encerrar, deixará várias famílias numa situação de vulnerabilidade e fragilidade”.
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Nessa perspetiva, os comunistas questionaram já o Ministério do Trabalho e Segurança Social por considerarem ser “fundamental perceber se o Governo tomará diligências no sentido de assegurar a laboração da unidade fabril e a manutenção dos postos de trabalho“.
Esta segunda-feira, antes da reunião em que comunicou a situação aos trabalhadores dos seus 22 departamentos, já a produção da Ecco Portugal estava suspensa.
Em comunicado, a direção da fábrica dizia pouco depois que essa era “uma decisão particularmente difícil para a empresa, tendo em conta a consciência do impacto que terá nos trabalhadores, nas suas famílias e na comunidade local”.
No mesmo documento, o diretor-geral da unidade portuguesa, Gustavo Kremer, acrescentava: “Durante mais de 40 anos, os trabalhadores em Portugal foram uma parte importante da família Ecco e contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento e o sucesso da marca. Esta decisão não é um reflexo do seu trabalho nem da qualidade do que aqui se faz. Estaremos sempre gratos por esse contributo”.