O chefe dos serviços secretos egípcios, Abbas Kamel, esteve em Jerusalém a 26 de setembro de 2023, no dia da celebração dos 50 anos da Guerra do Yom Kippur, quando o Egito e a Síria lançaram uma guerra contra Israel para recuperar os territórios ocupados por Telavive seis anos antes. Kamel avisou o Governo israelita sobre um possível ataque que estaria a ser preparado pelo Hamas e pediu ao poder político de Telavive para garantir concessões económicas ao grupo para evitar um conflito. Estas são as revelações feitas por fontes dos serviços secretos israelitas, egípcios, árabes, norte-americanos e europeus ao Atlantic.
“Se não mudarem de rumo, Gaza vai explodir nas vossas caras”, terá dito a representantes do Governo israelita no encontro, sem fornecer uma data ou informações específicas sobre o ataque. Não se sabe com quem o chefe dos serviços secretos se encontrou, mas o jornal refere que Benjamin Netanyahu teve uma “reunião à porta fechada” nesse dia, após a qual foram aprovadas concessões económicas ao Hamas.
O avião onde voou Kamel esteve estacionado no Aeroporto Ben Gurion, em Telavive, durante 67 minutos antes de regressar ao Cairo, de acordo com um registo de voo da autoridade aeroportuária israelita e confirmado por plataformas de monitorização de tráfego aéreo.
“O que as autoridades israelitas fizeram com o aviso de Kamel continua a ser uma questão em aberto três anos após o ataque surpresa mais devastador da história de Israel. Mas autoridades de sete países diferentes com quem conversei disseram que a visita de Kamel deveria ter disparado alarmes nos principais escalões do Governo israelita”, refere Vivian Salama, jornalista do Atlantic. Um mesmo aviso do género foi feito a 5 de outubro, dois dias antes do massacre.
Para as autoridades israelitas, a mera presença do chefe dos serviços secretos egípcios devia ter feito soar os alarmes. “O mensageiro era a mensagem”, afirmou um antigo funcionário israelita a Salama, mas que afirma que Netanyahu não teve conhecimento da reunião.
O gabinete do primeiro-ministro, dias após o ataque, negou ter tido conhecimento dos preparativos para um possível ataque, mas, nos últimos meses, vários meios de comunicação social, como o Haaretz ou o New York Times, têm noticiado que os Emirados Árabes Unidos avisaram diretamente Netanyahu, que não terá reportado a informação aos serviços de segurança. Do mesmo modo, sempre negaram ter tido conhecimento por parte do Cairo.
“A visita de Kamel em 2023, cujos detalhes não foram relatados anteriormente, ressalta o que dezenas de fontes me disseram: que o governo israelita foi repetidamente informado de atividades ameaçadoras pelo Hamas na preparação para 7 de outubro”, sublinha Salama.
Além de Abbas Kamel, também o chefe dos serviços secretos da Jordânia avisou os seus homólogos israelitas de um ataque iminente, referem fontes árabes.
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