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Foram dias de avanços e recuos, mas a porta para um entendimento diplomático parece ter-se fechado, por agora. No final de domingo, o Irão afastou a realização de novas negociações com os Estados Unidos, deitando por terra as expectativas do Presidente norte-americano, Donald Trump, que tinha afirmado esperar a retoma do diálogo com Teerão ainda durante esta semana — mesmo depois de ter rejeitado, no sábado, a proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz num prazo de sete dias.
Trump rejeita oferta do Irão para reabrir Ormuz em sete dias
“A delegação iraniana não tem na sua agenda qualquer programa para participar numa nova ronda de negociações com a parte norte-americana, e o ministro dos Negócios Estrangeiros [Abbas Araghchi] regressará ao Irão na terça-feira após cumprir a sua agenda”, afirmou à IRNA, no final do dia de domingo, uma fonte anónima próxima da comitiva de Teerão.
A recusa de Teerão surge na sequência das declarações proferidas no domingo por Donald Trump, que se manifestou confiante na reabertura dos canais negociais, mesmo depois de ter recusado a proposta de tréguas colocada em cima da mesa pelas autoridades iranianas.
A este propósito, a mesma fonte diplomática explicou que a bola estava do lado de Washington: “As posições da República Islâmica do Irão já foram transmitidas de forma clara e explícita aos norte-americanos na passada terça-feira, através do mediador qatari, e o Irão aguarda uma resposta”, referindo-se ao encontro que os enviados especiais da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, tiveram na terça-feira com Abbas Araghchi em Nova Iorque, num processo facilitado pela mediação do Qatar.
À margem da Assembleia Geral da ONU, o Executivo iraniano apresentou uma proposta formal que previa a reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias e a retoma das negociações.
Mas, na sexta-feira, os termos foram clarificados: em contrapartida, Teerão exigia que a administração norte-americana adotasse um conjunto de medidas, entre as quais a cessação imediata das hostilidades no Médio Oriente, o restabelecimento do cessar-fogo, o levantamento do bloqueio naval imposto aos portos iranianos e a suspensão das sanções à exportação de petróleo bruto do país.
Trump rejeitou o acordo por desconfiar da capacidade de Teerão para corresponder às suas exigências, numa altura em que a imprensa norte-americana noticia que Washington está a preparar novos ataques ao país, possivelmente após as eleições intercalares de novembro. Ao mesmo tempo, numa corrida para impedir o regresso a uma “guerra total”, os responsáveis pelas negociações entre os EUA e o Irão têm pressionado as autoridades iranianas a fazer cedências no seu programa nuclear, escreve o The Wall Street Journal.
Perante o impasse e a recusa da Casa Branca, Abbas Araghchi subiu o tom e, numa reação aos acontecimentos registada no domingo, o chefe da diplomacia iraniana advertiu que Teerão “está preparado para a diplomacia e para a guerra”. Em entrevista à estação de televisão norte-americana NBC, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano assegurou que o país “mantém-se firme” perante qualquer tipo de agressão militar, “mesmo que se chegue a uma guerra apocalíptica”.
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