O presidente da Câmara do Porto admitiu que a autarquia poderá vir a dar um fim público aos dois imóveis antes destinados a mesquitas e cujas hastas públicas ficaram desertas.
“É uma hipótese que a própria câmara possa usar o terreno para fins de interesse público. Temos muita carência de território para os projetos que temos em mente”, disse Pedro Duarte.
O autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, que falava na Assembleia Municipal que decorreu na segunda-feira à noite, não avançou com uma solução concreta, mas admitiu que possa ter havido desfasamento de preço.
“Ainda não tomámos uma decisão. Podemos colocar um preço mais baixo. De facto, era bastante mais elevado do que aquilo que tinha custado à Câmara. Admito que houvesse desfasamento de mercado com o preço que foi colocado”, referiu.
As hastas públicas de 16 de setembro para alienar dois imóveis da Câmara do Porto que o anterior executivo tinha adquirido para ceder direitos de superfície a duas associações para mesquitas ficaram desertas.
Tanto a sessão para a alienação do imóvel situado na Rua da Porta do Sol 27 a 31, pelo valor base de 913.700 euros, que chegou a estar destinado à Associação Comunidade do Bangladesh do Porto, como outra, para o imóvel na Rua do Pinheiro Grande, em Campanhã, por 1.307.000 euros, ficaram sem propostas.
A primeira hasta pública dizia respeito a dois edifícios, com destino a habitação coletiva e área bruta de concessão de 682 metros quadrados, enquanto o segundo tem uma área medida na cartografia municipal de 2.721 metros quadrados, com tipologia de edifícios de tipo moradia.
A 21 de julho, o executivo municipal aprovou, com o voto contra dos vereadores do PS, alienar os dois imóveis.
Em maio, o presidente da câmara, Pedro Duarte (PSD/CDS/IL), revelou à Lusa a intenção de colocar estes dois imóveis em hasta pública, ressalvando que esta decisão “não impede” que as respetivas comunidades religiosas possam adquirir estes terrenos e “dá igual possibilidade a outras entidades que possam demonstrar, também, interesse nos mesmos”.
Assegurando que “a construção de mesquitas na cidade do Porto não é uma prioridade” para o seu executivo, o autarca reiterou que não iria ceder terrenos para esse fim.